Menu
Kátia Flávia
Kátia Flávia

“O céu é o limite”: como dois empresários brasileiros transformaram a venda de iPhones em Ciudad del Este e hoje movimentam milhões

Comandada por Gustavo Arruda e Matheus Oliveira, marca especializada em produtos Apple apostou em Ciudad del Este para ganhar escala e já administra estoques superiores a mil aparelhos por lote com foco em lojistas.

Kátia Flávia

24/09/2026 9h05

Gustavo Arruda e Matheus Oliveira comandam expansão de operação de Cuiabá para um dos maiores polos comerciais da América Latina.

Gustavo Arruda e Matheus Oliveira comandam expansão de operação de Cuiabá para um dos maiores polos comerciais da América Latina.

A Future Tech começou como uma operação pequena em Cuiabá, construída na base da venda direta e do relacionamento com clientes. Depois de se consolidar, mirou atravessar fronteiras com uma transição estratégica que impressiona pela velocidade. Hoje, a marca brasileira deixou de ser uma promissora rede de lojas na capital do estado de Mato Grosso para se tornar uma fornecedora atacadista no centro de negócios de Ciudad del Este, no Paraguai. Comandada pelos empresários Gustavo Arruda e Matheus Oliveira, a marca administra estoques que abrangem mais de mil unidades e movimenta centenas de iPhones em questão de dias.

A mudança para o mercado paraguaio não aconteceu por acaso. Foi uma busca consciente por escala internacional. Após dominarem a venda de celulares, perfumes e roupas no varejo mato-grossense, os dois executivos identificaram em Ciudad del Este o ecossistema ideal para mudar a escala do negócio, deixar de vender para o consumidor final e passar a abastecer quem revende.

“O Paraguai surgiu quando percebemos que aquilo que tínhamos construído poderia ganhar uma escala completamente diferente. Deixamos de pensar somente como uma loja de Cuiabá e começamos a pensar como fornecedores. Hoje nosso objetivo é construir uma empresa capaz de distribuir milhares de aparelhos e atender lojistas de diferentes lugares”, revela Gustavo Arruda, fundador da Future Tech.

Da rotina de plantões no hospital ao atacado internacional

A trajetória de Gustavo reflete o espírito empreendedor sem glamour da fase inicial. Antes das negociações internacionais e da estrutura imponente, sua rotina se dividia entre plantões noturnos em um hospital e negociações de relógios, perfumes e aparelhos eletrônicos ao longo do dia.

A virada de chave no segmento de smartphones ocorreu por acaso, quando ajudou um colega a comercializar um aparelho usado e fechou o negócio no mesmo dia. Das vendas informais, ele evoluiu para uma sala comercial simples, depois para duas lojas físicas em Cuiabá e, finalmente, para a sociedade com Matheus Oliveira, que já administrava sua própria operação de vestuário e tecnologia.

Ao desembarcar em Ciudad del Este, os sócios precisaram adaptar o conhecimento do varejo brasileiro à dinâmica acelerada do comércio fronteiriço.

“Não fomos para o Paraguai simplesmente para abrir outra loja. Fomos buscando escala. Era uma decisão de mudar o tamanho do negócio e também a nossa maneira de pensar”, explica o cofundador. “Começamos a olhar muito mais para o lojista. E o lojista tem necessidades diferentes: ele precisa de preço competitivo, estoque, variedade, procedência, velocidade e, principalmente, de um fornecedor em quem possa confiar para continuar comprando. A partir daí, nossa cabeça mudou de ‘quantos aparelhos conseguimos vender hoje?’ para ‘quantos lojistas conseguimos abastecer e manter como parceiros?'”, complementa.

Especialização no ecossistema Apple e relacionamento nas redes

O portfólio da Future Tech foca na linha completa de produtos Apple, envolvendo tanto seminovos quanto lacrados. A escolha pela marca da maçã foi motivada pela alta liquidez e demanda constante por parte de lojistas de toda a América do Sul.

Para conquistar espaço em um mercado tradicional e competitivo como o de Ciudad del Este, os empresários apostaram na humanização e na presença nas redes sociais para mostrar os bastidores da operação, desde a conferência de lotes e logística até as negociações.

“A rede social virou uma extensão do nosso balcão de vendas e também uma ferramenta de construção de confiança”, destaca Gustavo. “Trabalhamos com lojistas que precisam comprar constantemente, então não adianta fazer uma ótima primeira venda e não conseguir atender a segunda. Precisamos ter estoque, logística, padrão de qualidade e comunicação rápida”, pontua.

De Ciudad del Este para o mundo

Apesar dos resultados alcançados em Ciudad del Este, Gustavo considera que a operação ainda está no início. A Future Tech pretende ampliar estoque, equipe e capacidade logística, mantendo o foco no atacado e no relacionamento com os lojistas. “Queremos construir uma marca forte, com estrutura e capacidade de continuar crescendo durante muitos anos”, afirma.

Por isso, o sucesso da operação paraguaia é visto pelos sócios apenas como o primeiro capítulo de um plano ainda maior. Atento ao mercado internacional, Gustavo acompanha de perto feiras e eventos do setor, visando fortalecer conexões com fornecedores e entender tendências do consumo tecnológico mundial. Recentemente, o empresário esteve em Miami acompanhando o mercado e o lançamento do iPhone 18.

“Estar presente nesses lugares nos permite entender tendências, fortalecer fornecedores e enxergar o negócio de uma maneira cada vez mais global. O objetivo é criar uma operação que não dependa de uma única cidade ou de um único mercado”, explica.

Para quem se inspira na trajetória da Future Tech e deseja construir o próprio negócio no ramo, o empreendedor aconselha que o maior foco deve ser na coragem e na consistência comercial. “Não tenha vergonha de começar pequeno e não fique confortável quando começar a dar certo. Aprenda, reinvista, conheça pessoas boas e esteja preparado para assumir riscos calculados. Eu comecei ajudando um amigo a vender um celular. Hoje estamos construindo uma operação que movimenta milhares de aparelhos e atende lojistas de diferentes lugares. E ainda considero que estamos apenas começando. O céu é o limite”, finaliza Arruda.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado