A direção da Globo teria feito uma avaliação crítica do desempenho de César Tralli nas sabatinas com candidatos à Presidência exibidas após o “Jornal Nacional”. Segundo apuração de Valmir Moratelli, o apresentador foi considerado nervoso diante de Lula e teria se perdido na conversa com Flávio Bolsonaro, enquanto Renata Vasconcellos saiu fortalecida da rodada.
Eu deixei a agenda fechada sobre a mesa, peguei o notebook e fui para a varanda de Joa, onde a reunião finalmente começou com o mar aparecendo entre os galhos e a conversa já em andamento. Mal sentei e chegou essa avaliação da Globo. Minhas filhas, nada como um bastidor de televisão para provar que até a bancada mais iluminada do país pode virar uma sala de reunião com ar-condicionado no máximo e sobrancelha levantada.
Antes das entrevistas, a emissora teria montado uma operação especial, com editores e repórteres de política preparando perguntas, ordem dos temas e a dinâmica entre os dois apresentadores. Tralli e Renata teriam treinado durante o dia e ficado inacessíveis ao restante da equipe do jornal para se concentrar nas sabatinas.

Eu abri o notebook, liguei a câmera da reunião e fiquei imaginando o tamanho do ensaio. Pergunta pronta, ordem definida, equipe de guerra, repórter experiente, teleprompter, bancada, luz perfeita — e, mesmo assim, o ao vivo resolve fazer o que sempre faz: olhar para a preparação inteira e dizer “vamos ver”.
Segundo a reportagem, a avaliação interna teria sido de que Tralli se apequenou diante dos candidatos, especialmente durante a entrevista com Lula, e se perdeu em questões direcionadas a Flávio Bolsonaro. Renata Vasconcellos, ainda de acordo com a apuração, precisou intervir mais de uma vez.
O vento de Joa levantou uma folha solta da minha agenda, e eu a prendi com o celular porque reunião com amigas também precisa de governança. A televisão adora comparar âncoras, mas essa história ganhou peso justamente porque William Bonner ocupava antes o posto hoje assumido por Tralli. Quando o sucessor entra na cadeira, a régua já vem sentada ao lado.

A apuração afirma que o episódio teria abalado a moral de Tralli nos bastidores e tornado mais visível a diferença de estilo entre ele e Bonner. Não há manifestação pública da Globo sobre a avaliação interna descrita pela coluna.
Eu fechei a tela por um segundo para ouvir o que as amigas estavam discutindo, porque a pauta da tarde não ia se tocar sozinha. Mas fiquei pensando que ninguém domina uma bancada importante no grito ou no currículo: é no embate ao vivo, diante de candidato, pergunta incômoda e milhões de espectadores, que a gravata aperta de verdade.
Tralli segue como âncora do “Jornal Nacional”, e uma rodada de entrevistas não define uma carreira inteira. Mas, segundo o relato sobre os bastidores, a Globo saiu das sabatinas com uma percepção clara: Renata cresceu na cadeira, e César terá de trabalhar para recuperar segurança e espaço.