Thiago Gagliasso publicou uma mensagem de apoio a Bruno Gagliasso após a morte de Paulo César Marques, pai do ator e tio de Thiago. Os irmãos, que compartilham a mesma mãe, vivem afastados há anos e tornaram públicas divergências políticas e familiares que racharam a relação.
Eu já estava terminando o café tardio no BAHR & Terrace, em Lisboa, quando vi o vídeo e fiquei quieta por um minuto. Porque, por trás de toda briga de família que vira manchete, existe uma dor que ninguém deveria atravessar sozinho. E Thiago escolheu falar justamente da ferida mais exposta entre os dois: a política.

“Tio Paulo sempre foi um cara incrível, só tenho a guardar ótimas lembranças dele. Muitas vezes, foi um segundo pai para mim, principalmente na infância”, disse Thiago. Depois, dirigiu-se diretamente ao irmão: “Queria mandar um beijo no coração do meu irmão, que não existe divergência política que vá superar isso”.
A fala veio de um homem que hoje é candidato a deputado federal pelo PL e que, desde 2018, passou a ocupar o lado oposto de Bruno no debate público. Thiago declarou apoio a Jair Bolsonaro, enquanto Bruno e Giovanna Ewbank aderiram à campanha #EleNão. A diferença ideológica acabou virando combustível para uma crise familiar que já tinha outros elementos.
Eu coloquei a xícara de lado porque essa história não cabe numa frase pronta de “brigaram por política”. A política foi a faísca pública, sim, mas Bruno já disse que o rompimento não aconteceu apenas por isso. Segundo o ator, ele e Giovanna foram expostos de uma forma que não queriam, e o desgaste entre os irmãos cresceu até o afastamento.
Antes da explosão nas redes, também houve relatos de tensão em negócios da família e de cobranças sobre a administração de restaurantes e uma casa noturna. Depois, vieram postagens, recados públicos, acusações sobre ajuda financeira e a participação de Giovanna Ewbank na briga. A família virou debate de internet, e o que era particular ganhou torcida organizada.
Em 2022, Thiago deixou as diferenças de lado para defender os filhos de Bruno e Giovanna contra ataques racistas. Agora, diante do luto pela morte de Paulo César, voltou a oferecer solidariedade. Não há indicação de que os irmãos tenham retomado a convivência ou se reconciliado, mas o gesto mostra que a dor abriu uma fresta numa relação há muito congelada.

Eu saí da varanda pensando que política pode revelar valores, criar distância e até romper laços. Mas, quando alguém perde o pai, não existe postagem, voto ou partido capaz de diminuir o tamanho do vazio. Thiago não apagou a briga com um vídeo. Também não resolveu anos de conflito. Só lembrou que, em certos momentos, a família fala mais alto do que a guerra.