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Kátia Flávia
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naPorta cria 35 mil endereços e expõe um problema bilionário do Brasil

Startup de logística das periferias disputa o Prêmio Empreendedor Social 2026, da Folha, após mapear 100 comunidades em sete estados e alcançar 150 mil pessoas, segundo dados da empresa.

Kátia Flávia

15/10/2026 17h00

Sanderson Pajéu e Leonardo Medeiros fundaram a naPorta, startup que desenvolve soluções de logística e endereçamento digital em comunidades brasileiras.

Sanderson Pajéu e Leonardo Medeiros fundaram a naPorta, startup que desenvolve soluções de logística e endereçamento digital em comunidades brasileiras.

Minhas filhas, eu estava em Lisboa, com um pastel de nata na mão e a cabeça nas notícias do mercado brasileiro, quando quase deixei o café cair! Uma startup chamada naPorta conseguiu gerar 35 mil endereços digitais em comunidades brasileiras que enfrentam a falta de endereçamento formal. E ainda virou finalista do Prêmio Empreendedor Social 2026, da Folha de S.Paulo. Fiquei pensando: como é que o Brasil quer discutir inteligência artificial enquanto tanta gente ainda enfrenta dificuldades para informar onde mora?

A empresa foi fundada por Sanderson Pajéu e Leonardo Medeiros e atua com logística em comunidades urbanas. Sua solução, o CEP Digital, busca identificar endereços em territórios onde a ausência de registros formais dificulta entregas, acesso a serviços e reconhecimento dos moradores. Segundo a naPorta, desde 2022 foram gerados 35 mil endereços em 100 comunidades de sete estados, com impacto estimado em 150 mil pessoas. É um número que merece atenção, embora os resultados sejam informados pela própria companhia.

E aqui começa a parte que interessa aos investidores, empresários e executivos que adoram falar em mercados inexplorados. Sem endereço formal, uma pessoa pode enfrentar obstáculos para receber encomendas, acessar crédito e utilizar serviços básicos. O CEP Digital procura reduzir essas barreiras. Para o comércio eletrônico, a possibilidade de localizar consumidores em regiões de difícil acesso também representa uma oportunidade operacional. O problema é antigo, mas a tentativa de solução tem cara de negócio escalável.

Agora vem o capítulo da competição empresarial. A naPorta está entre os seis finalistas da 22ª edição do Prêmio Empreendedor Social, realizada pela Folha em parceria com a Fundação Schwab. Foram 484 inscritos, segundo a organização. A startup concorre na categoria Inovadores Sociais do Ano, e os vencedores serão anunciados em 16 de novembro, na Sala São Paulo. O pacote de benefícios para finalistas e premiados ultrapassa R$ 500 mil em cursos e mentorias oferecidos por parceiros. Atenção, minhas queridas: esse valor representa benefícios do prêmio, não investimento recebido pela startup.

E os fundadores resolveram aproveitar a visibilidade para ampliar o alcance da iniciativa. A empresa está mobilizando doações pela plataforma Mobilização Folha, com a proposta de reinvestir os recursos arrecadados na expansão do CEP Digital. Leonardo Medeiros, COO e cofundador, resumiu a urgência da questão ao afirmar que a decisão do prêmio acontece em novembro, mas o apoio público pode começar agora. A estratégia associa reconhecimento institucional, mobilização social e expansão da operação.

Eu gostei especialmente da leitura de Sanderson Pajéu, CEO e fundador. Ele observa que a ausência de endereço formal afeta muito mais do que a entrega de encomendas, alcançando questões como serviços de emergência, crédito e matrícula em creche. É exatamente aí que o modelo ganha relevância. A logística pode ser a porta de entrada comercial, mas a questão do endereçamento envolve desenvolvimento urbano e acesso a direitos.

Agora, como boa fofoqueira da Faria Lima, tenho uma ressalva. Os 35 mil endereços gerados demonstram alcance operacional declarado, mas ainda precisamos conhecer indicadores como custo por endereço, adoção efetiva pelos serviços e sustentabilidade financeira para avaliar a escalabilidade do negócio. Impacto social e viabilidade econômica precisam caminhar juntos, especialmente quando uma startup pretende ampliar sua atuação.

Meu veredito? A naPorta identificou um problema concreto que muita apresentação de startup ignora. Se conseguir transformar sua solução em infraestrutura amplamente utilizada, terá uma oportunidade relevante de crescimento. Enquanto alguns empreendedores gastam fortunas inventando nomes sofisticados para problemas imaginários, esses dois resolveram começar pelo básico: descobrir como fazer o Brasil encontrar seus próprios moradores. E olha que, para certos negócios, encontrar o cliente já é metade do milagre!

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