Boninho contou um bastidor inusitado sobre Silvio Santos e a chegada do Big Brother ao Brasil. Segundo o diretor, o empresário chegou a negociar a compra do formato com a Endemol, mas desistiu de assinar o contrato depois de receber o manual de produção do reality.
Eu finalmente servi a lasanha, passei a salada para as amigas e anunciei que ninguém começaria a comer antes de ouvir essa história. Porque Silvio Santos lendo a “bíblia” do programa, decidindo que faria algo parecido e mandando todo mundo voltar da Holanda é uma cena que só poderia acontecer na televisão brasileira.

A revelação foi feita por Boninho durante participação no Sem Censura, da TV Brasil, ao lado do pai, Boni. Segundo o diretor, Silvio enviou uma equipe do SBT à Holanda para concluir as negociações com John de Mol, criador do formato.
Os advogados do SBT e da Endemol já estariam reunidos, John de Mol aguardava a assinatura e até buffet com champanhe teria sido preparado para celebrar o acordo. Aí Silvio telefonou, perguntou se o contrato já tinha sido fechado e recebeu a resposta de que não.
“Então, é o seguinte: volta que eu já li, eu vou fazer e não vou pagar porcaria nenhuma”, contou Boninho, reproduzindo a frase atribuída ao apresentador. E eu quase deixei a travessa cair, porque essa é a energia de quem não quer comprar o formato, quer comprar a ideia e ainda pedir troco.
Na versão de Boninho, foi assim que nasceu a Casa dos Artistas, lançada pelo SBT em 2001. Silvio teria comprado uma casa vizinha à residência onde foi sequestrado, montado um estúdio e guardado o projeto em sigilo absoluto.
“Não contou pra ninguém. Tanto que ele estreou num domingo louco, do nada estreou a Casa dos Artistas”, afirmou Boninho. A Globo foi pega de surpresa e decidiu correr atrás do Big Brother, que acabou negociado diretamente com John de Mol.
Segundo Boninho, o criador do formato teria se irritado e dito que Silvio “roubou” sua ideia. O diretor, porém, fez uma correção bem brasileira: “Ele não roubou, ele pegou emprestado. Foi uma inspiração”, disse, aos risos.

Boninho também contou que não queria assumir o Big Brother Brasil no início. “Eu não vou fazer isso porque é um treco horrível, essa casinha fechada aí”, afirmou. Só aceitou depois de pedir liberdade para adaptar o programa, e o resto virou história da TV.
Eu cortei a primeira fatia e decretamos na mesa: Silvio Santos talvez não tenha comprado o Big Brother, mas conseguiu transformar uma negociação abandonada em um dos maiores terremotos da televisão brasileira. Isso, minhas filhas, é visão de negócio com roteiro de comédia.