Nuno Leal Maia surpreendeu ao revelar que nunca gostou de novelas, mesmo tendo construído uma carreira marcada por mais de 20 produções do gênero e cinco minisséries. Aos 77 anos, o ator, que foi um dos grandes galãs da televisão brasileira nas décadas de 1980 e 1990, afirmou que raramente assistia às tramas das quais participou.
Eu já estava naquele momento pós-almoço em que a bolsa vai para o colo e todo mundo começa a procurar óculos, celular e dignidade para levantar da cadeira, quando apareceu essa entrevista do Nuno Leal Maia. Li a frase “não gosto de novela” e precisei sentar direito de novo. Porque, minha filha, um homem com A Gata Comeu, Top Model, Mandala e Estúpido Cupido no currículo dizer isso é praticamente um padre confessando que nunca gostou de missa.

Em entrevista ao F5, Nuno Leal Maia falou sem rodeios. “Não gosto. Nunca gostei e praticamente não assisto mais”, afirmou o ator. Ele explicou que sempre teve mais interesse por cinema do que por televisão e lembrou que estudou Cinema na ECA-USP, além de ser admirador do neorrealismo italiano e de cineastas como Federico Fellini.
Mesmo assim, o ator reconheceu que algumas novelas marcaram sua trajetória. Ele citou Roque Santeiro, Mandala e A Gata Comeu, esta última uma novela que, segundo ele, nem queria fazer inicialmente. O diretor Herval Rossano insistiu, e Nuno acabou agradecendo depois pelo sucesso do personagem.
O ator também contou que entrou na TV Globo para trabalhar em Estúpido Cupido, em 1976, a convite de Mário Prata. Depois, migrou para a linha de shows, onde atuou ao lado de nomes como Chico Anysio, Paulo Silvino e Jô Soares. Segundo ele, fazer humor foi uma experiência importante e prazerosa.
Apesar de ter sido considerado galã e símbolo sexual nos anos 1980, Nuno Leal Maia disse que nunca se preocupou muito com esse rótulo. Para ele, o foco sempre foi o trabalho. O que o incomodava nas novelas, contou, era gravar cenas importantes e vê-las cortadas posteriormente na edição.
Sobre a possibilidade de voltar ao gênero, ele não fechou as portas, mas deixou claro que dependeria do projeto. “Sou ator e estou aberto a tudo. Mas as novelas de hoje são mais fracas do que antigamente. Há poucos autores realmente fortes”, avaliou.
Nuno está de volta aos palcos depois de 11 anos com a peça Meno Male, texto de Juca de Oliveira. Na montagem, ele interpreta Nicola, um taxista italiano falido que tem a vida atravessada por um acidente envolvendo um político corrupto.

O ator também falou sobre futebol, outra paixão antiga. Ele passou pelas categorias de base do Santos FC e chegou a trabalhar como treinador. Sobre a Seleção Brasileira na Copa do Mundo, foi pessimista. Para Nuno, o time está fraco, principalmente na defesa, e não deve ir muito longe no Mundial.
Eu levantei da cadeira pensando que Nuno Leal Maia acabou de entregar uma das contradições mais deliciosas da televisão: virou galã de novela sem gostar de novela, brilhou no gênero sem acompanhar o gênero e ainda saiu com moral para dizer que as de hoje estão mais fracas. É o tipo de sinceridade que, se fosse personagem, a Globo cortava na edição para não dar problema.