Malu Gaspar e Octavio Guedes protagonizaram um bate-boca ao vivo na GloboNews durante a discussão sobre a liberação de documentos do caso Master. Ao interromper o colega para perguntar qual material ele ainda achava que deveria vir a público, Malu recebeu uma resposta direta: “Malu, não sou eu”.
Eu abri o notebook na mesa de jantar com a tarde toda esquadrinhada: às 14h30, chamada para bater o martelo nas imagens da Trident no Rock in Rio; às 15h10, revisão dos títulos do pacote de fim de semana; e, entre uma planilha de foto e outra, a GloboNews decidiu servir uma invertida ao vivo. Sexta-feira trabalha com entretenimento sem pedir licença.

Malu quis entender que documento Octavio considerava indispensável para o julgamento. A pergunta veio em tom de cobrança, e Guedes não deixou a fala passar. “Estou dizendo que ouvi ministros que alegam que, para julgar o caso, eles precisam ter conhecimento de todo o material”, respondeu, visivelmente marcando distância da interpretação da colega.
Eu parei de organizar a ordem das fotos e aumentei o volume. Porque o homem não estava ali para fazer comentário de rodapé: repetiu que falava como repórter, a partir de informações ouvidas de integrantes do Supremo Tribunal Federal, e não como alguém que defendia a abertura dos arquivos.
“Não estou advogando para ninguém”, disparou Guedes. A frase veio como uma tesoura no meio da conversa, depois que Malu insistiu em saber exatamente quais elementos ainda precisariam aparecer. Ele afirmou que ministros receberam um link com documentos pela manhã, mas que o conteúdo não reunia todos os arquivos da investigação.
O jornalista ainda disse que um HD seria entregue aos integrantes da Corte e que eles não sabiam, até então, tudo o que havia no material. Para Guedes, a posição atribuída aos ministros era simples: não dá para julgar o caso conhecendo apenas parte dos elementos. E Malu não aceitou a explicação com cara de quem vai deixar o assunto morrer ali.
Eu coloquei um alarme para a reunião das 14h30 e segurei a risada. Porque a discussão tinha todos os ingredientes de uma boa treta de televisão: uma pergunta com veneno jornalístico, uma resposta dada no corte e dois profissionais disputando quem definia os termos da conversa.

A troca ganhou força porque envolve o caso Master, que continua com documentos parcialmente liberados e outras frentes ainda protegidas por sigilo, entre elas a apuração sobre o financiamento do filme “Dark Horse”. O julgamento está previsto para terça-feira (15), e a batalha sobre o que precisa estar à mesa já começou antes da sessão.
Eu fechei a aba do vídeo só quando o lembrete da chamada começou a piscar. Mas deixei anotado em letras grandes no bloco de notas: Malu e Octavio ainda têm assunto pendente. Porque, depois desse “não estou advogando”, qualquer novo comentário dos dois sobre o Master vai chegar com o estúdio já em estado de alerta.