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Kátia Flávia
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“Não é caminho fácil”: a repórter da Globo que perdeu os dentes após bariátrica

Luiza Zveiter contou que enfrentou anemia, deficiência de vitaminas e erosão dentária após a cirurgia feita aos 18 anos.

Kátia Flávia

21/07/2026 8h23

Luiza Zveiter relembrou a bariátrica feita aos 18 anos e as consequências que enfrentou depois da cirurgia

Luiza Zveiter relembrou a bariátrica feita aos 18 anos e as consequências que enfrentou depois da cirurgia

Luiza Zveiter abriu o jogo sobre as sequelas que enfrentou após fazer bariátrica aos 18 anos. A repórter da Globo contou que teve anemia intensa, deficiências nutricionais, uma complicação intestinal e perdeu dentes devido à erosão causada por vômitos frequentes.

Acordei com o sol atravessando o quarto do Cosme Velho e aquela sensação de que a viagem de ontem ainda estava estacionada nos meus ombros. Fiquei sentada na ponta da cama, telefone na mão, lendo o relato da Luiza e pensando como a internet adora tratar uma transformação física como se fosse apenas um antes e depois bonito para passar o dedo na tela.

Repórter contou que perdeu oito dentes após sofrer erosão causada por vômitos frequentes
Repórter contou que perdeu oito dentes após sofrer erosão causada por vômitos frequentes

Aos 18 anos e com 136 quilos, Luiza decidiu fazer a cirurgia de forma impulsiva, sem se sentir emocionalmente preparada. Ela chegou aos 70 quilos, voltou a ganhar peso em outro momento e, hoje, está com 61. Mas faz questão de dizer que o número da balança não conta a história inteira, porque saúde, composição corporal e acompanhamento não cabem numa foto viral.

O ponto mais duro do relato é o que veio depois. Por causa de uma faixa usada no procedimento, alimentos ficavam presos e ela provocava vômitos para aliviar o desconforto. A acidez atingiu os dentes, e Luiza perdeu quatro molares superiores e quatro inferiores, todos substituídos por coroas. Também enfrentou anemia severa, ferritina baixa e falta de vitaminas.

Eu larguei o celular no colo e fiquei olhando para a janela por um instante. Não é uma história para assustar quem pensa em cirurgia, mas para acabar com essa conversa torta de que bariátrica é atalho de shopping: entra de um lado, sai magra do outro e pronto. Não é. É uma mudança séria, que exige atenção para o resto da vida.

Luiza relatou ainda que passou por uma invaginação intestinal, quando uma parte do intestino se encaixa em outra, e quase precisou encarar nova cirurgia. Hoje, ela diz que aprendeu a manter rotina de exercícios, controle médico e suplementação. O acompanhamento nutricional contínuo, inclusive, é uma recomendação reconhecida no pós-operatório bariátrico, especialmente para prevenção e tratamento de anemia e carências de micronutrientes. Consenso da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica.

 Hoje, Luiza defende acompanhamento médico e diz que a bariátrica não é um caminho fácil
Hoje, Luiza defende acompanhamento médico e diz que a bariátrica não é um caminho fácil

Ela também falou da flacidez, tema que a acompanhou por anos e a levou a usar cinta compressiva por muito tempo, até decidir passar por cirurgias plásticas. O caminho não apagou a mulher que existia antes da operação, mas ajudou Luiza a entender o próprio corpo com mais profundidade, sem vender uma felicidade pronta em embalagem de transformação.

Depois de contar tudo, ela deixou claro que quer transformar a própria experiência em acolhimento para outras pessoas que vivem dilemas parecidos. E eu, que já tinha me prometido uma manhã silenciosa, levantei devagar e fui procurar água. Porque tem relato que não pede aplauso por emagrecimento: pede escuta, responsabilidade e menos julgamento de fora.

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