Luiza Zveiter abriu o jogo sobre as sequelas que enfrentou após fazer bariátrica aos 18 anos. A repórter da Globo contou que teve anemia intensa, deficiências nutricionais, uma complicação intestinal e perdeu dentes devido à erosão causada por vômitos frequentes.
Acordei com o sol atravessando o quarto do Cosme Velho e aquela sensação de que a viagem de ontem ainda estava estacionada nos meus ombros. Fiquei sentada na ponta da cama, telefone na mão, lendo o relato da Luiza e pensando como a internet adora tratar uma transformação física como se fosse apenas um antes e depois bonito para passar o dedo na tela.

Aos 18 anos e com 136 quilos, Luiza decidiu fazer a cirurgia de forma impulsiva, sem se sentir emocionalmente preparada. Ela chegou aos 70 quilos, voltou a ganhar peso em outro momento e, hoje, está com 61. Mas faz questão de dizer que o número da balança não conta a história inteira, porque saúde, composição corporal e acompanhamento não cabem numa foto viral.
O ponto mais duro do relato é o que veio depois. Por causa de uma faixa usada no procedimento, alimentos ficavam presos e ela provocava vômitos para aliviar o desconforto. A acidez atingiu os dentes, e Luiza perdeu quatro molares superiores e quatro inferiores, todos substituídos por coroas. Também enfrentou anemia severa, ferritina baixa e falta de vitaminas.
Eu larguei o celular no colo e fiquei olhando para a janela por um instante. Não é uma história para assustar quem pensa em cirurgia, mas para acabar com essa conversa torta de que bariátrica é atalho de shopping: entra de um lado, sai magra do outro e pronto. Não é. É uma mudança séria, que exige atenção para o resto da vida.
Luiza relatou ainda que passou por uma invaginação intestinal, quando uma parte do intestino se encaixa em outra, e quase precisou encarar nova cirurgia. Hoje, ela diz que aprendeu a manter rotina de exercícios, controle médico e suplementação. O acompanhamento nutricional contínuo, inclusive, é uma recomendação reconhecida no pós-operatório bariátrico, especialmente para prevenção e tratamento de anemia e carências de micronutrientes. Consenso da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica.

Ela também falou da flacidez, tema que a acompanhou por anos e a levou a usar cinta compressiva por muito tempo, até decidir passar por cirurgias plásticas. O caminho não apagou a mulher que existia antes da operação, mas ajudou Luiza a entender o próprio corpo com mais profundidade, sem vender uma felicidade pronta em embalagem de transformação.
Depois de contar tudo, ela deixou claro que quer transformar a própria experiência em acolhimento para outras pessoas que vivem dilemas parecidos. E eu, que já tinha me prometido uma manhã silenciosa, levantei devagar e fui procurar água. Porque tem relato que não pede aplauso por emagrecimento: pede escuta, responsabilidade e menos julgamento de fora.