Marcela Porto, conhecida como Mulher Abacaxi, compartilhou nas redes sociais fotos de antes e depois de sua transição de gênero. A influenciadora e rainha da escola de samba Acadêmicos de Niterói afirmou que o processo permitiu que ela se tornasse quem sempre foi e falou sobre autoestima, passado e autenticidade.
Eu ainda estava na cozinha, tentando convencer a manhã de que duas xícaras de café não são excesso, são estratégia de sobrevivência, quando apareceram as fotos da Marcela. Parei tudo. Porque antes e depois de uma transição não é só imagem, não é só estética, não é só “olha como mudou”. É biografia no corpo. É uma história inteira atravessando o espelho.

Na publicação, Mulher Abacaxi escreveu que sempre foi “uma mulher em um corpo que não era meu” e que cada fase vivida, com dores, aprendizados e desafios, a conduziu até o presente. Ela também afirmou que não apaga o passado: honra essa trajetória porque foi ela que lhe deu força para viver com autenticidade, coragem e orgulho.
E aqui eu bato palma com força, mas sem transformar a dor dos outros em legenda bonita. Tem gente que acha que transição é só procedimento, maquiagem, cabelo, cirurgia ou foto nova. Não é. É atravessar medo, julgamento, dificuldades financeiras, burocracia, olhares tortos e, muitas vezes, a própria dificuldade de se reconhecer diante do espelho.
Em entrevistas anteriores, Marcela revelou que iniciou a transição por volta dos 40 anos e que o processo aconteceu de forma gradual. Segundo ela, já são mais de dez anos de caminhada.
“Vejo algumas mulheres trans fazendo a transição rapidamente, mas, no meu caso, não foi assim, até porque tudo era diferente naquela época”, contou.
A influenciadora também afirmou que já investiu mais de R$ 500 mil ao longo desse processo, considerando os valores atualizados. Ainda assim, faz questão de dizer que foi o dinheiro mais bem gasto de sua vida.
“Recuperei minha autoestima e fiz as pazes com o espelho. Antes, eu não conseguia nem me olhar e evitava tirar fotos”, desabafou.
Minha filha, essa frase pega. Porque o espelho pode ser cruel, mas também pode virar testemunha de um reencontro. E quando uma mulher diz que finalmente conseguiu olhar para si mesma sem desviar o rosto, isso fala muito mais sobre identidade do que sobre aparência.

Hoje, Mulher Abacaxi ocupa um lugar de destaque no Carnaval como rainha da Acadêmicos de Niterói e compartilha sua trajetória com orgulho. A montagem entre o antes e o depois não apaga quem ela foi. Mostra, na verdade, o caminho percorrido até conseguir viver de acordo com quem sempre soube que era.
No fim, as imagens publicadas por Marcela Porto contam uma história que vai além da transformação física. São o registro de um processo de afirmação pessoal, de reconstrução da autoestima e da liberdade de finalmente conseguir se reconhecer diante do próprio reflexo.