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Kátia Flávia
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MPT lança documentário sobre o assassinato de auditores na Chacina de Unaí

O Ministério Público do Trabalho lançou nesta quarta-feira o documentário “28 de janeiro: um dia que dói”, que resgata o assassinato de quatro servidores federais durante operação contra o trabalho escravo em Unaí, Minas Gerais, em 2004. Uma história que o Brasil precisa continuar sabendo

Kátia Flávia

06/05/2026 18h00

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MPT lança documentário sobre o assassinato de auditores na Chacina de Unaí | Globo

Tem notícia que chega e a coluna para. Não para para fazer graça, para para respirar fundo e tratar com o peso que merece. O Ministério Público do Trabalho lançou hoje o documentário “28 de janeiro: um dia que dói”, um média-metragem de 17 minutos que reconstrói a Chacina de Unaí, o assassinato de quatro servidores federais enquanto trabalhavam para libertar pessoas submetidas ao trabalho escravo no interior de Minas Gerais. Abri o link e assisti sem pausar.

O crime aconteceu em 28 de janeiro de 2004. Eratóstenes de Almeida Gonçalves, João Batista Soares Lage, Nelsão Campos Sabino e o motorista Nelson José da Silva foram executados durante uma operação de fiscalização em uma propriedade rural de Unaí. Eles faziam exatamente aquilo para o qual tinham sido convocados pelo Estado: fiscalizar condições de trabalho, combater a escravidão contemporânea, proteger quem não tinha como se proteger. O documentário vai até esses nomes, essas histórias, esses rostos, e não deixa que eles virem apenas estatística de crime.

Produzido pela Secretaria de Comunicação Social do MPT a partir de pesquisas do Memorial da instituição, o filme reúne depoimentos de pessoas que conviveram com as vítimas e de quem atuou no caso, cobrindo desde as ameaças que antecederam o crime até o julgamento dos assassinos. O documentário integra a exposição “Chacina de Unaí: Um marco na luta contra o trabalho escravo”, lançada também nesta quarta em formato online, com o objetivo de manter viva a memória de um dos episódios mais emblemáticos da fiscalização trabalhista brasileira.

A Chacina de Unaí deixou um legado que vai além da dor. O caso expôs para o país inteiro os riscos que os auditores fiscais do trabalho enfrentavam nas operações de combate à escravidão contemporânea, acelerou debates sobre a proteção dessas equipes e se tornou referência permanente na história dos direitos trabalhistas no Brasil. Que o MPT escolha preservar essa memória com um documentário acessível, disponível online, é um gesto de respeito às famílias e de alerta para quem ainda prefere olhar para o outro lado.

Há histórias que uma coluna de entretenimento normalmente não cobre, e ainda bem que existem dias em que a própria notícia decide o contrário. Os quatro servidores de Unaí merecem ser lembrados pelo nome, pelo trabalho e pelo que representam, e o documentário do MPT faz exatamente isso.​​​​​​​​​​​​​​​​

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