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Kátia Flávia
Kátia Flávia

Morte do cão Orelha vira projeto de lei e pressiona pais de adolescentes

Comoção em Santa Catarina sai da internet e entra na Assembleia com proposta que cobra responsabilidade familiar em casos de maus-tratos a animais.

Kátia Flávia

29/01/2026 9h45

cao orelha de praia brava

Foto: Reprodução/Polícia Civil de Santa Catarina.

Brasil, eu confesso que a dor pelo cãozinho Orelha me incendiou por dentro, virou nó na garganta, peso no peito e uma revolta que me acompanha do café da manhã até a hora de dormir, dessas tristezas que não pedem licença e se recusam a ir embora. Aqui o tom muda, o gloss baixa e euzinha fico séria, mas sem perder o veneno da observação. A morte do cão comunitário Orelha deixou de ser apenas um caso revoltante para virar motor de uma discussão que muita gente empurra com a barriga há anos.

O episódio aconteceu na Praia Brava, em Florianópolis, chocou Santa Catarina e ganhou repercussão nacional. Orelha virou símbolo de um problema maior. O que acontece quando maus-tratos são cometidos por menores de idade e a lei não alcança ninguém de forma efetiva.

A resposta veio em forma de projeto. Batizada de Lei Orelha, a proposta foi apresentada pelo deputado estadual Mário Motta, do PSD. A ideia é direta, incômoda e difícil de contornar no discurso. Se o autor do crime é menor, os pais ou responsáveis passam a responder administrativamente.

Pelo texto, a multa dobra em casos de lesão grave ao animal. Se houver morte, triplica. Nada de prisão, nada de espetáculo penal. O foco está no bolso e na responsabilidade familiar, aquela palavra que costuma desaparecer quando o assunto é crime cometido por adolescente.

Motta defende que a proposta não nasce do desejo de vingança, mas de prevenção. Criar um freio real, algo que faça a família se envolver de verdade na formação e no controle dos atos dos filhos. A lógica é simples e desconfortável. Quem educa responde. Quem ignora aprende do jeito mais duro.

Agora começa o ritual político que eu conheço bem. Comissões, debates, discursos inflamados, gente chamando de avanço civilizatório e gente dizendo que é emoção demais virando lei. O projeto ainda precisa atravessar plenário e resistir ao cansaço do noticiário.

A pergunta que fica martelando é aquela que ninguém gosta de responder. Esse clamor vai manter força até virar lei ou vai virar mais um caso lembrado só quando surge outra tragédia.

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