Saí de uma reunião na Avenida Presidente Wilson com essa história na cabeça e entrei no carro rumo a Copacabana para outra. Mas, dessa vez, não consegui simplesmente passar para a próxima pauta. Fiquei triste. E bastante incomodada.
A morte de Duda Alves, aos 22 anos, já havia sido noticiada. A jovem influenciadora, acompanhada por 745 mil pessoas, morreu em Brasília. A causa não foi divulgada. Ponto.

Só que o silêncio sobre a causa começou a ser ocupado por teorias. Suicídio, complicação após uma cirurgia de redução das mamas, explicações espirituais. Comentários começaram a juntar pedaços da vida de uma menina que acabou de morrer como se fosse preciso solucionar um mistério diante do público. Não é.
E eu vou ser muito séria aqui. Existe uma família enterrando uma jovem de 22 anos. Existe gente que a amava tentando entender uma ausência que começou agora. A causa da morte pode ser importante para médicos, autoridades e, sobretudo, para quem era próximo de Duda. Isso não transforma a intimidade dela em uma investigação coletiva.

Até o material disponível não apresenta confirmação oficial que sustente as teorias publicadas. Portanto, reproduzi-las como possibilidade concreta não esclarece a morte. Só aumenta o barulho em torno dela.
Estou chegando a Copacabana ainda pensando nisso. Trabalhamos com curiosidade, notícia, bastidor e, sim, fofoca. Mas existe uma fronteira. Duda Alves morreu aos 22 anos. A família não revelou a causa. E talvez o gesto mais decente agora seja aceitar que nem toda pergunta pública precisa de uma resposta.