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Kátia Flávia
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Morre Netinho, voz de “Mila” e ícone do axé, aos 60 anos após luta contra câncer

Cantor baiano enfrentava um câncer do sistema linfático havia mais de um ano e deixa uma trajetória marcada por hits que atravessaram gerações

Kátia Flávia

13/10/2026 11h13

Netinho morreu aos 60 anos, em Salvador, após enfrentar um câncer do sistema linfático

Netinho morreu aos 60 anos, em Salvador, após enfrentar um câncer do sistema linfático

Netinho, um dos grandes nomes do axé music, morreu nesta terça-feira (13), aos 60 anos, em Salvador. O cantor enfrentava um câncer do sistema linfático havia mais de um ano. Até o momento, não foram divulgadas informações sobre velório e sepultamento.

Eu ainda estava na varanda da hospedagem em Sintra quando a notícia me alcançou, e aí não existe comentário esperto que dê conta, minhas filhas. Tem artista que vira trilha sonora de uma época inteira, e Netinho era desses que bastava entrar “Mila” para o Brasil inteiro se achar dono de um refrão.

O artista revelou o diagnóstico em março de 2025, depois de ser internado com fortes dores nas pernas no Hospital Aliança Star, em Salvador. Durante o tratamento, compartilhou etapas da luta nas redes sociais, inclusive o momento em que raspou o cabelo.

Netinho nasceu em Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo Baiano, e se mudou ainda criança para Salvador. Aos 14 anos, ganhou o primeiro violão da mãe; aos 16, entrou na faculdade de Engenharia Civil, enquanto já fazia shows em escolas e bares. A vida, porém, tinha outro plano: colocar aquele menino no centro do Carnaval e do país.

Em 1988, ele estreou como vocalista da Banda Beijo e estourou com “Beijo na Boca”. Depois vieram “Barracos”, “A Vida é Festa”, “Estrela Primeira” e, claro, “Mila”, lançada em 1996 e eternizada como um dos maiores símbolos do axé. Eu fechei os olhos e já ouvi Salvador inteira cantando, porque essa música não envelhece: ela simplesmente aparece e toma conta.

O cantor também viveu momentos difíceis antes do câncer. Em 2013, sofreu três AVCs, perdeu a voz temporariamente e ficou quatro anos afastado do Carnaval. Voltou a cantar e seguiu construindo uma carreira que não se resumiu ao palco: abriu um estúdio no Rio de Janeiro e recebeu nomes como Gilberto Gil, Maria Bethânia, Milton Nascimento, Laura Pausini e Lenny Kravitz.

A trajetória de Netinho teve ainda incursão na política, quando concorreu a deputado federal pelo PL em 2022, sem se eleger. Mas, para o público que o acompanhou por décadas, fica mesmo a lembrança do cantor que ajudou a espalhar o axé pelo mundo e fez do Carnaval uma espécie de estado de espírito.

Eu entrei de volta no quarto sem pressa, deixando a vista da serra lá fora por um minuto. Hoje, “Mila” vai tocar diferente em muita casa, muito bar e muita memória. E é assim que um artista permanece: quando a voz para, mas a música continua cantando por ele.

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