Eu ainda estava saindo da academia quando recebi a notícia e fiquei parada. Morreu Gracindo Jr. Aos 83 anos. Tem notícia de televisão que a gente escreve como jornalista e tem notícia que bate primeiro em quem cresceu assistindo àquilo tudo.
E comigo foi direto para a Manchete. Eu adorava Gracindo em “Dona Beija”, novela que eu assistia e reassistia sempre que podia. Aquele universo grandioso, exagerado, lindo, com Maitê Proença dominando a tela. Gracindo fazia parte daquela televisão que parecia maior que a própria sala de casa.

Segundo a informação divulgada pela família, ele morreu nesta quarta-feira (2), em sua residência no Rio de Janeiro. A morte foi confirmada pelo filho, Pedro Gracindo. Até o momento da divulgação da notícia, a causa não havia sido informada.
Gracindo Jr. nasceu Epaminondas Xavier Gracindo e carregava um sobrenome gigantesco da dramaturgia brasileira. Era filho de Paulo Gracindo, mas construiu uma trajetória própria diante e atrás das câmeras. Começou ainda adolescente como rádio-ator na Rádio Nacional e esteve no elenco inaugural da TV Globo, em 1965.
Na televisão, passou por produções como “O Bem-Amado”, “O Casarão”, “Rainha da Sucata”, “O Salvador da Pátria” e “Celebridade”. Trabalhou também na direção, esteve à frente de “Marron-Glacé”, dirigiu “Os Trapalhões” e teve passagem pela TV Manchete e, posteriormente, pela Record.
E é justamente aí que a memória pega a gente. Porque, quando morre um ator dessa geração, desaparece também mais um pedaço vivo de uma televisão brasileira feita por gente que atravessou rádio, teatro, novela, direção e diferentes emissoras.

Hoje eu não tenho baixaria, não tenho piada e nem quero ter. Só fiquei lembrando daquela TV Manchete, de “Dona Beija”, e de Gracindo Jr. em cena. Tem artista que sai da televisão, mas nunca sai da memória de quem estava do outro lado da tela.