Bruno Aiub, o Monark, foi condenado pela Justiça de São Paulo a pagar R$ 100 mil por dano moral coletivo depois de defender, em 2022, que um partido nazista pudesse existir legalmente no Brasil. O dinheiro deverá ser destinado ao Fundo Estadual de Defesa dos Interesses Difusos, e a decisão ainda cabe recurso.
Já pronta para sair para a bike indoor, eu parei diante dessa notícia porque há frases que não podem ser tratadas como tropeço de podcast. Liberdade de expressão não é passe livre para normalizar uma ideologia construída sobre perseguição, racismo e extermínio.

A condenação veio por causa de uma edição do Flow Podcast, exibida em fevereiro de 2022, com a participação de Tabata Amaral e Kim Kataguiri. Na conversa, Monark afirmou: “Eu acho que o nazista tinha que ter o partido nazista reconhecido pela lei”.
Ele também sustentou que alguém teria direito de se declarar “antijudeu”. Tabata reagiu ainda no programa e lembrou que a liberdade de expressão encontra limite quando coloca uma população inteira em risco.
Eu não entendo esse teatro de fingir que tudo cabe no mesmo saco de “opinião”. Uma coisa é discordar de imposto, de governo, de corte de cabelo ou de novela. Outra é querer abrir espaço político para quem defende a eliminação de gente.
A juíza Adriana Cardoso dos Reis, da 37ª Vara Cível Central de São Paulo, apontou que o nazismo não pode ser tratado como ideologia legítima em um debate democrático. A sentença destacou o potencial lesivo de manifestações antissemitas contra a comunidade judaica e outros grupos perseguidos pelo regime.
Depois da repercussão, Monark se desculpou publicamente, e o episódio do Flow foi retirado do acesso público. A defesa, porém, classificou a nova decisão como “absolutamente equivocada”, afirmou que ele discutia uma visão ampla sobre liberdade de expressão e associação e declarou que vai recorrer.

Antes da sentença, houve tentativa de acordo com o Ministério Público. A proposta previa atividades educativas, como visitas a museus e a um campo de concentração, além de um podcast sobre o Holocausto, mas as partes não chegaram a uma conclusão.
Eu espero que a decisão ajude a encerrar essa conversa preguiçosa de que chamar nazismo pelo nome seria censura. Não é. É memória, responsabilidade e o mínimo de compromisso com as pessoas que foram perseguidas e mortas por esse horror.