A causa da morte de Daveigh Chase, atriz conhecida por dublar Lilo em “Lilo & Stitch” e por interpretar Samara em “O Chamado”, foi divulgada oficialmente. Segundo o Instituto Médico Legal do Condado de Los Angeles, a artista morreu em decorrência de Aids, com “uso crônico de múltiplas substâncias” listado como outra condição significativa. A morte foi classificada como natural.
Eu estava no Cosme Velho, ainda de robe, tomando café e fofocando nos grupos com as amigas enquanto o céu nublado fazia aquela cara de terça-feira que não quer trabalhar, quando uma delas mandou: “Kátia, saiu o laudo da menina de Lilo & Stitch”. Eu larguei o suco de melancia na mesa, porque tem notícia que chega com um peso estranho. A gente lembra da voz doce da Lilo, lembra do terror da Samara saindo da televisão, e de repente está lendo o fim triste de uma ex-estrela mirim aos 35 anos.

Daveigh morreu em 16 de junho, em um hospital de Los Angeles. Antes da divulgação do laudo, seu empresário, John Ryan Jr., havia dito à BBC que ela morreu de sepse após sofrer meningite. Agora, as conclusões oficiais apontam Aids como causa da morte.
O pai da atriz, John David Schwallier, afirmou ao New York Times que Daveigh estava em situação de rua e morava em Los Angeles com o namorado antes de morrer.
A trajetória dela começou cedo. Daveigh Chase iniciou a carreira ainda criança, começou a atuar aos quatro anos e conseguiu seu primeiro trabalho em Hollywood aos sete. Uma das primeiras aparições na televisão foi em “Sabrina, a Aprendiz de Feiticeira”, série estrelada por Melissa Joan Hart.
A virada veio em 2001, quando ela interpretou Samantha Darko em “Donnie Darko”. No ano seguinte, entrou para o imaginário de duas gerações por caminhos completamente diferentes. De um lado, deu voz à pequena Lilo, fã de Elvis e dona de uma das amizades mais queridas da Disney em “Lilo & Stitch”. Do outro, assustou meio mundo como Samara Morgan em “O Chamado”, o fantasma de cabelos longos que sai rastejando da televisão.
Pelo trabalho como Samara, Daveigh ganhou o prêmio de melhor vilã no MTV Movie Awards de 2003. Já como Lilo, levou um Annie Award de melhor dublagem em uma produção de longa-metragem de animação e continuou dando voz à personagem em derivados da franquia.
Ela também dublou Chihiro na versão em inglês de “A Viagem de Chihiro”, animação japonesa vencedora do Oscar, e participou da série “Big Love”. Segundo seu agente, Daveigh se afastou da atuação em tempo integral em 2015.
Nos anos seguintes, a vida da atriz passou por períodos turbulentos. De acordo com o Hollywood Reporter, ela enfrentou problemas com a lei, incluindo acusações ligadas a posse de drogas e direção imprudente em um carro roubado.

E é aqui que a notícia dói de outro jeito. Porque Daveigh não foi só “a menina do filme”. Ela foi uma criança colocada muito cedo no centro da máquina de Hollywood, virou voz de personagem amado, rosto de terror cultuado e, anos depois, apareceu nas manchetes pelo abandono, pela saúde frágil e pela solidão que tantas ex-estrelas mirins conhecem bem demais.
A causa oficial encerra uma dúvida, mas não encerra a tristeza. Daveigh Chase atravessou a cultura pop como Lilo, Samara e Chihiro. Três personagens impossíveis de esquecer. E talvez seja por isso que a morte dela tenha batido tão forte: a infância de muita gente ficou presa nessa notícia, olhando de volta pela tela.