Menu
Kátia Flávia
Kátia Flávia

Ministro Edson Fachin leva Justiça da Fraternidade para o Museu do Amanhã

No seminário “A Justiça do Amanhã”, no Rio, o presidente do STF defende cortes mais humanas, transparentes e conectadas com a vida real enquanto divide palco com Cármen Lúcia e a elite jurídica. Democracia com painel colorido de fundo e muita toga fazendo selfie no Boulevard Olímpico, meu amor.

Kátia Flávia

20/06/2026 9h12

84umoildnwqmz602bj5icip2bwvncnb0byrmbhvgb6mtm2mtm1ijnzmjonvgcq5ydvxmmjdzn1udzingnifjmzqmnldjzlntoij2n0mwm3mdzmzkmlmdzmzkmlajmzetmgjtjwudo5uzm4idoy8vl1etlf9vlwitlfpdm (1)

Cristiano Vasconcelos (diretor-executivo do Museu do Amanhã), Edson Fachin (Ministro do STF), Ricardo Piquet (diretor-geral do idg) e Guilherme Coelho (fundador da República.org)

Eu estava aqui no Cosme Velho, tênis caro no pé, relógio apitando que já estava na hora da caminhada, quando pipoca no meu e-mail o release do Museu do Amanhã. O assunto, claro, não era pequeno: presidente do STF, ministros de tribunais superiores, projeto de democracia, tudo isso embalado naquele cenário futurista que carioca ama postar no feed. Dei um gole no meu cafezinho, botei o óculos escuro e pensei: se até o Judiciário está indo atrás de engajamento, eu vou atrás de bastidor.

O evento se chama “A Justiça do Amanhã” e ocupou o Museu do Amanhã neste 19 de junho, em pleno centro do Rio, com Edson Fachin puxando a fila dos engravatados. A proposta oficial é discutir o papel das cortes na garantia de direitos fundamentais, em tempos de tecnologia mandando em tudo e gente com medo de perder direito até no comentário do X. Entre seminários e falas protocoladas, o recado público foi de um Judiciário mais próximo das pessoas e menos robótico, com direito a defesa da tal “Justiça da Fraternidade”.

No palco, Fachin usou o discurso para dizer que avanço tecnológico tem que servir gente, não substituir, e que juiz continua lidando com vida de verdade, não com arquivo em nuvem. Ele falou em novo Código de Ética, citou Cármen Lúcia como relatora, vendeu transparência com portal para explicar salário de magistrado e prometeu um Judiciário que se olha no espelho antes de mandar alguém para a lona. É aquele papo de responsabilidade moral, exemplo, escuta ativa, tudo com vocabulário de seminário chique, mas mirando a plateia que já está de saco cheio de sigla e quer resultado.

Do lado institucional, entrou em cena o idg, que gere o Museu do Amanhã, explicando que o espaço quer ser vitrine de debates sobre democracia, ciência e gestão pública. O diretor Ricardo Piquet elogiou essa parceria entre Justiça, academia e sociedade civil, reforçando o discurso de que tribunal não pode ficar trancado em Brasília respirando ar condicionado e achando que o povo é detalhe. A República.org apareceu como organizadora, vendendo a ideia de serviço público mais qualificado, moderno e com gestão de gente de verdade, não apenas planilha e carimbo.

Enquanto isso, na plateia, o networking corria solto, com assessoria de imprensa alinhando fala, whatsapp de jornalista fervendo e aquele clima de “vamos salvar o Brasil, mas antes vamos ali tirar uma foto no logo colorido do museu”. Para coroar, ainda teve ministra Cármen Lúcia prevista para o encerramento, fechando o dia como grande voz sobre ética e limites do poder. Se esse encontro todo vai mudar a vida do cidadão ou só garantir mais um bloco bonito no currículo institucional, a gente ainda vai ver, mas que o Judiciário descobriu o poder do cenário instagramável, isso já está transitado em julgado aqui na coluna.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado