Minha gente, Milton Cunha conseguiu uma proeza daquelas que nem o Carnaval, com toda a sua criatividade, costuma entregar: ressuscitou uma declaração de sete anos atrás, atribuiu a fala a Pabllo Vittar e depois descobriu que a cantora jamais havia dito aquilo. O resultado? Um pedido público de desculpas, uma retratação e um belo desfile de equívocos. Faltou apenas a comissão de frente para organizar a confusão.
A história começou durante a participação do carnavalesco no programa da Blogueirinha. Milton afirmou que Pabllo teria se apresentado como pioneira em determinado espaço do Carnaval. A declaração repercutiu, mas havia um problema considerável: segundo o próprio Milton reconheceu posteriormente, aquela fala nunca existiu.

Na terça-feira (20), o comentarista resolveu colocar os pingos nos is. Em um pronunciamento público, admitiu que havia cometido um erro grosseiro. “Eu atribuo a Pabllo, primeiro, uma fala que ela não disse. Passou sete anos e eu ontem soltei, me ferrei, não era verdade”, declarou.
E segura essa, porque a confusão tinha mais um capítulo. Milton também reconheceu que havia se referido equivocadamente a Pabllo como uma pessoa trans. A cantora é uma drag queen e se identifica como homem gay. “Eu atribuo a ela a ideia de ser trans. Não é, não é a denominação trans, não cabe pra Pabllo”, esclareceu.
Aqui em Sintra, eu estava tentando organizar meus pensamentos depois de uma caminhada pelo centro histórico quando li a retratação. Gente, até as ladeiras portuguesas parecem mais fáceis de entender do que essa história. Porque uma coisa é confundir uma informação recente. Outra é guardar uma declaração durante sete anos e descobrir, depois de repeti-la publicamente, que ela nunca foi pronunciada. A memória resolveu desfilar sem conferir a fantasia.
Milton, pelo menos, assumiu a responsabilidade. Ao se dirigir diretamente à cantora, reconheceu o incômodo provocado por suas palavras. “Pabllo, querida, você e todos seus seguidores se sentiram super ofendidos com razão. Desculpa pela minha confusão e pelo meu erro”, afirmou. O carnavalesco também destacou seu respeito à comunidade LGBTQIAPN+ e disse estar procurando aprender mais sobre questões de identidade e nomenclaturas.
O detalhe que mais me chamou a atenção foi a maneira como ele encerrou o pronunciamento: “Erro grosseiro, tô batendo cabeça, me perdoem, me desculpem”. Nada de responsabilizar uma interpretação alheia ou fingir que ninguém entendeu o que ele quis dizer.

Agora, minha gente, convenhamos: Milton Cunha conhece como poucos a importância de uma boa narrativa no Carnaval. Só que, dessa vez, o enredo saiu errado, o personagem principal foi colocado numa história que não contou e o próprio autor precisou entrar na avenida para corrigir a sinopse.
No Carnaval, fantasia é arte. Quando se trata da fala dos outros, fantasia não pode virar notícia.