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Kátia Flávia
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Miguel Falabella explica por que escondeu orientação sexual e vida íntima por décadas: “Me blindei”

Ator disse que evitou rótulos ao longo da carreira para não ser colocado em uma prateleira pela mídia e pelo preconceito da época

Kátia Flávia

17/06/2026 8h45

Miguel Falabella relembrou os desafios de preservar a vida pessoal em uma época marcada pelo preconceito e pelos rótulos na televisão

Miguel Falabella relembrou os desafios de preservar a vida pessoal em uma época marcada pelo preconceito e pelos rótulos na televisão

Miguel Falabella abriu o jogo sobre a decisão de preservar a própria orientação sexual ao longo da carreira. Após a repercussão do namoro com o empresário e influenciador Alexandre Altoé, relação que teria começado em 2023, o ator explicou que sempre evitou transformar a vida íntima em espetáculo para proteger a própria trajetória artística.

Eu já tinha encerrado a reunião aos trancos e tentava juntar os cacos da tarde em cima da mesa, quando apareceu Miguel Falabella falando de rótulo, carreira e blindagem. Aí parei de correr atrás de notificação. Porque tem artista que a gente acompanha há tanto tempo que, quando resolve falar de si com calma, a fofoca vira quase documento de época.

Em entrevista ao Roda Viva, Falabella disse que a exposição nunca chegou a atrapalhar sua carreira porque ele soube se proteger. Segundo o ator, a decisão de não abrir a intimidade publicamente foi uma escolha dele diante de um ambiente social marcado pelo preconceito.

“[A fofoca] nunca me atrapalhou porque eu sempre soube me blindar. Eu nunca transformei a minha vida num espetáculo. Eu tenho tanto o que mostrar que eu não vou ficar mostrando minha intimidade. Até porque, na época em que nós vivemos, com o preconceito [que tinha], talvez eu não tivesse feito metade das coisas que eu fiz”, afirmou.

O artista também negou que tenha recebido orientação direta da TV Globo para esconder sua vida pessoal. Ainda assim, contou que percebia o clima da época e sabia que determinados rótulos poderiam limitar sua imagem artística.

“Nunca me falaram isso abertamente, mas a gente sentia. Não queria fazer uma carreira em cima disso, não queria ser colocado em uma prateleira, porque depois que te colocam, você não sai mais”, comentou.

Falabella explicou que sempre rejeitou etiquetas grudadas ao próprio nome. Para ele, quando a imprensa escolhe uma marca para alguém, a pessoa deixa de ser vista em sua complexidade e passa a ser reduzida a um único aspecto.

Como exemplo, ele citou um conselho dado recentemente à atriz Zezé Polessa sobre idade. “Não fala que você está fazendo 70 anos, não precisa pregoar. Agora tudo será ‘a septuagenária’, você deixou de ser uma pessoa, virou a ‘septuagenária’”, disse.

O ator completou dizendo que nunca quis ser definido por rótulos. “Nunca quis ter rótulos e etiquetas grudadas no meu corpo e no meu ser artista, entendeu? Eu me blindei mesmo e uma época foi bem cascuda”, afirmou.

Com mais de 50 anos de carreira, Miguel Falabella construiu uma das trajetórias mais importantes da televisão e do teatro no Brasil. Foi apresentador do Vídeo Show, criou Sai de Baixo, escreveu a novela Negócio da China e se consolidou como ator, autor, diretor e figura central da cultura pop brasileira.

Atualmente, ele prepara a montagem do musical Victor ou Victoria, clássico da Broadway. E, no meio de tanta obra, talvez a fala mais importante agora seja justamente essa: a vida pessoal dele sempre existiu, mas nunca precisou ser a vitrine principal.

E olha, dá para entender o peso. Hoje muita gente fala de visibilidade como se ela sempre tivesse sido simples, mas houve um tempo em que ser reduzido a uma etiqueta podia custar personagem, contrato, respeito e espaço. Falabella não está pedindo aplauso por ter se blindado. Está lembrando que, em certas épocas, sobreviver inteiro já era uma estratégia.

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