Mick Jagger voltou ao centro da superstição futebolística depois da eliminação da Inglaterra na semifinal da Copa do Mundo. O vocalista dos Rolling Stones estava no estádio, em Atlanta, nos Estados Unidos, e viu a seleção inglesa perder de virada para a Argentina por 2 a 1 nesta quarta-feira (15).
A manhã seguia bonita no Cosme Velho, sol frio, céu limpo e uma organização doméstica que durou exatamente doze minutos. Eu estava escolhendo uma geleia como quem toma decisão de Estado quando apareceu Mick Jagger no estádio e, logo depois, a Inglaterra eliminada. Fechei a geladeira devagar. Minha filha, se esse homem entra numa arquibancada, até o placar começa a suar frio.

A Inglaterra abriu o marcador com Anthony Gordon e parecia encaminhar a vaga para a final. Mas a Argentina reagiu nos minutos finais. Enzo Fernández empatou aos 40 minutos do segundo tempo, com um chute de fora da área, e Lautaro Martínez virou nos acréscimos. Lionel Messi, mais uma vez, foi decisivo ao distribuir as duas assistências da partida.
E aí não teve jeito. A internet ressuscitou a fama de pé-frio de Mick Jagger, que acompanha o cantor há algumas edições da Copa do Mundo. A brincadeira ganhou força em 2010, quando ele viu de perto as eliminações dos Estados Unidos, da Inglaterra e do Brasil no mesmo Mundial. Três seleções eliminadas e um roqueiro nas arquibancadas bastaram para alimentar a superstição.
Em 2014, durante a Copa realizada no Brasil, a história ganhou novos capítulos. Jagger desejou sorte à Inglaterra, que acabou eliminada ainda na fase de grupos após derrotas para Itália e Uruguai. Depois, assistiu no Mineirão ao histórico 7 a 1 da Alemanha sobre a seleção brasileira. Minha filha, tem torcedor que leva camisa da sorte para o estádio. Mick Jagger parece carregar uma zica internacional no ingresso VIP.
Em 2018, a fama voltou quando ele acompanhou a derrota da Inglaterra para a Croácia na semifinal. Agora, em 2026, o roteiro se repetiu: os ingleses saíram na frente, mas acabaram sofrendo a virada da Argentina nos minutos finais.
Quem saiu em defesa do cantor foi Luciana Gimenez, mãe de Lucas Jagger. Depois da vitória inglesa sobre a Noruega nas quartas de final, ela criticou as piadas nas redes sociais e escreveu: “Acabou a piada agora?”. Também classificou a brincadeira como de “p*** mau gosto”.

Eu entendo a Luciana, de verdade. Deve ser cansativo ver o pai do seu filho virar personagem de superstição a cada quatro anos. Mas também entendo o torcedor, essa criatura que, quando o time perde, culpa o narrador, a camisa, o VAR, o gato vidente, o vizinho que mudou de lugar no sofá e, claro, Mick Jagger.
Agora, a Argentina enfrenta a Espanha na grande final, no domingo (19), às 16h. Já a Inglaterra disputa o terceiro lugar no sábado (18), às 18h. E deixo aqui uma sugestão em nome da paz mundial: se Mick Jagger resolver assistir à decisão, talvez seja melhor fazer isso do sofá de casa. Torcedor supersticioso agradece.