Eu estava ajoelhada em cima da mala, brigando com um zíper que se recusava a fechar, quando o telefone tocou. Era uma amiga da Globo, dessas que sabem o capítulo inteiro antes da vinheta de abertura, perguntando se eu estava sentada. Não estava, mas sentei na mala mesmo. Estou de partida para Portugal e deixo registrado em cartório: não perco um capítulo de Além do Tempo nem que tenha que assistir de madrugada no quarto de hotel, com o fuso me roubando o sono e a Melissa me roubando a paz.
O sábado já começa com Lívia olhando nos olhos de Emília e avisando que não trabalha mais na empresa. Em seguida ela faz a mala, deixa a mansão para trás e vai morar com Felipe, e confesso que aplaudi sozinha na sala. Enquanto isso, Alex desabafa com Felícia e Chico sobre a separação dos pais, e dá pena ver aquele menino carregando um drama que não é dele. Felipe, que deveria estar só nas nuvens, começa a se preocupar com a situação financeira da Vinícola Campobello. Emília desabafa com Alberto, que está sendo comido vivo pelo remorso, e Lívia confessa a Vitória que sentiu raiva dele. Tem ainda Carola sugerindo dividir um apartamento com Anita, Massimo convidando Rosa para um jantar a dois e Gema se derretendo em lágrimas quando Chico a chama de mãe, cena que já separei o lencinho para ver.

Aí chega a segunda feira e o circo pega fogo. Salomé descobre que o jantar romântico de Massimo era para Rosa e a decepção dela é daquelas que a gente sente no estômago. Rosa, com uma elegância que eu admiro, propõe a Massimo que os dois sejam apenas amigos, e Salomé resolve ir morar na casa de Botelho. Carola abre o coração para Emília, conta o passado e revela que Pedro a chantageia. E então Melissa, com aquela calma de quem ensaiou a frase no espelho, afirma que Alex não é filho de Felipe e entrega o nome do pai verdadeiro: Roberto. Severa promete a Berenice que vai investigar a paternidade do sobrinho, Melissa tem uma crise nervosa e Dorotéia fica preocupada. No meio do tiroteio, Lívia prova o espumante de Felipe e aprova, e Queiroz torce o nariz ao ver Raul com Mateus.
Agora me deixem falar da Melissa, porque eu não aguento. Passou o sábado inteiro envenenando Alex contra Felipe e, na segunda, joga no ventilador um segredo desse tamanho logo quando Lívia finalmente encontra um pouco de sossego. Coincidência? Eu não acredito em coincidência nem em novela da Elizabeth Jhin, que acredita em destino. Essa mulher tem a frieza da Flora de A Favorita com o timing de quem sabe exatamente onde dói, e a crise nervosa depois da revelação me deixou com uma pulga atrás da orelha: arrependimento ou teatro? Quem sai do confronto maior, mesmo sem abrir a boca, é Lívia, que largou emprego e mansão para viver o amor dela de cabeça erguida.

Guardo um carinho especial para Rosa, que recusou o romance sem humilhar ninguém, e um aperto no peito por Salomé, que foi de convidada imaginária para um jantar a dois direto para a casa de Botelho. Carola merece um abraço e um advogado, porque chantagem não se resolve sozinha. E Severa investigando essa paternidade é a melhor notícia da semana: se ela for tão teimosa quanto parece, Melissa vai ter que explicar cada vírgula dessa história.
Minha previsão, feita de coração e com a mala ainda aberta: essa revelação não termina onde a Melissa planejou. Felipe e Lívia vão ser testados, mas o espumante aprovado é sinal de que a vinícola e o casal ainda têm futuro. Quero ver Melissa pagando por cada palavra envenenada que plantou na cabeça do filho, de preferência na frente de todo mundo. Vou acompanhar tudo lá de Portugal, e se alguém me ouvir gritando num hotel do outro lado do oceano, já sabe o motivo.