Marisa Orth, de 64 anos, revelou que ficou assustada ao receber o convite para protagonizar um curta-metragem voltado ao público adulto na plataforma Amasso. A eterna Magda, de Sai de Baixo, contou que não aceitou o trabalho de imediato e precisou entender melhor a proposta antes de entrar no projeto.
Na hora do café, com a sobremesa já dividida entre a mesa, eu li a fala dela e pensei: Marisa Orth sendo chamada para fazer um filme +18 aos 64 anos é exatamente o tipo de notícia que merece atenção.
Porque ela não entrou nessa de olhos fechados, não. A mulher olhou, desconfiou, avaliou tudo e só topou quando entendeu que não seria uma exposição vazia.
“Me assustei inicialmente com a proposta. Falei: ‘Gente, como assim? Obrigada, mas que absurdo.’ Ficava oscilando”, contou a atriz em entrevista à Quem. O curta é dirigido por Gringo Cardia e Bárbara Paz e foi produzido para a Amasso, plataforma de conteúdo adulto que aposta em trabalhos fechados e com direção artística.
A proposta da Amasso não é funcionar como um OnlyFans tradicional, com conteúdo explícito e publicação aberta. A ideia, segundo Marisa, foi ocupar um espaço de fantasia, sensualidade e estética que ela associou à antiga Playboy, mas sem transformar a atriz em objeto. Aí a conversa muda, minhas filhas. Uma coisa é sensualidade; outra é colocar mulher numa prateleira.

Marisa explicou que o trabalho provocou uma mudança concreta em sua rotina. “Me obrigou a ficar mais bonita, me obrigou a cuidar mais de mim, emagreci mais, cuidei mais do meu corpo”, declarou. O processo foi cansativo, mas ela afirmou que a insegurança diminuiu depois que viu o resultado final.
Com uma amiga escolhendo o último docinho da mesa e outra já falando em pedir a conta, eu fiquei pensando na coragem de se permitir uma reinvenção dessas. Aos 64, Marisa não está fazendo esforço para parecer mais jovem, nem pedindo licença para existir. Ela recebeu um convite inusitado e resolveu investigar se aquilo tinha elegância, sentido e autoria.

A presença de Gringo Cardia, amigo de longa data, pesou na decisão. “Ele tem absoluta e total liberdade para falar se está horrível, se está feio, levanta, não, está caída, não dá, ou está linda, vamos”, disse. Já Bárbara Paz, segundo ela, ajudou a construir um ambiente mais seguro pela delicadeza de seu cinema e pelo olhar feminino na direção.
Marisa também foi direta ao explicar que não se sentiu objetificada. Ela quis participar porque teve curiosidade, achou o convite lisonjeiro e pôde trabalhar ao lado de pessoas que indicou. “É muito elegante e muito sensual, muito chique e sexy”, resumiu sobre o resultado.
Eu levantei para me despedir das amigas com essa história na cabeça: tem mulher que chega aos 64 pedindo desculpa por ocupar espaço; Marisa Orth recebeu um roteiro +18, estranhou, emagreceu, encarou a própria vaidade e transformou o susto em filme. Magda teria feito escândalo. Marisa fez arte.