Luísa Mell questionou nas redes sociais a arrecadação de R$ 50 mil em cerca de meia hora durante uma live de Virginia Fonseca. A ativista comparou o dinheiro enviado à empresária com as dificuldades financeiras enfrentadas por projetos de proteção e resgate animal.
Eu entrei em casa no Cosme Velho, lavei a hortelã comprada na Cobal e deixei o queijo minas na geladeira quando li o desabafo. E a pergunta de Luísa é incômoda porque é simples: por que a internet corre para transferir dinheiro a quem já tem muito, mas some quando aparece um animal ferido precisando de ajuda?

“Por favor, me ajudem a entender o que está acontecendo? De um lado, a bela e quase bilionária Virginia. Do outro, cachorro espancado, cachorro atropelado, cadela com tumor e cachorro morrendo”, escreveu a defensora da causa animal.
Luísa fez questão de dizer que sua crítica não era um ataque pessoal a Virginia. O alvo, segundo ela, é a lógica do público que escolhe doar valores altos para uma influenciadora bem-sucedida enquanto abrigos, clínicas parceiras e protetores independentes lutam para bancar ração, exames, remédios e cirurgias.
Eu coloquei as flores da Cobal na pia e fiquei olhando para aquela frase. Porque não há problema em Virginia ter fãs, fazer live ou ganhar dinheiro. O desconforto está em ver uma multidão movimentar R$ 50 mil em meia hora enquanto uma cadela com tumor pode esperar dias por uma consulta que não chega.
A ativista relatou que enfrenta dificuldade para pagar as contas e manter os resgates. “Como preferem doar dinheiro para uma empresária muito rica ao invés de ajudarem os animais que tanto sofrem!”, questionou, em outro trecho da publicação.

O debate não é sobre decidir quem pode ou não receber afeto do público. É sobre a diferença brutal entre o engajamento que uma celebridade mobiliza em segundos e o esforço diário, quase sempre invisível, de quem recolhe animal atropelado, abandonado ou vítima de violência.
Eu cortei os talos das flores e pensei que solidariedade não deveria depender de filtro, dancinha ou cupom de desconto. Luísa não pediu que ninguém deixasse de acompanhar Virginia; ela pediu que olhassem também para quem está do outro lado da tela, sem glamour, tentando salvar uma vida.