Estava no terraço do hotel em Bari tomando um café que parecia ter sido preparado com pó de mármore quando minha fonte de Hollywood me mandou o link da entrevista de Judy Greer no Entertainment Tonight. Deixei o café esfriar ali mesmo, porque o que eu li vale mais do que qualquer coisa que a Puglia possa me oferecer nessa manhã de domingo.
Em 2001, durante a leitura de roteiro de “O Casamento dos Meus Sonhos” no Hotel Roosevelt em Nova York, Judy Greer deixou o carro com o manobrista sem fazer as contas. Na hora de retirar o veículo, não tinha os 20 dólares, foi até o telefone público do saguão pedir socorro ao amigo Sean Gunn, e quem estava parado por ali ouvindo tudo? Matthew McConaughey.



Ele enfiou a mão no bolso, entregou as duas notas, e a moça saiu murmurando “meu herói” com tamanha vergonha que dá dó só de imaginar a cena.
A história veio à tona agora, décadas depois, numa entrevista descontraída, e tomou conta das redes instantaneamente. O detalhe que a internet adorou: além de generoso, McConaughey era o tipo de ator que aparecia nas manhãs de filmagem de pijama, tomando chimarrão, e Judy ficava encantada com o espetáculo. Hollywood, mas com alma gaúcha.
Vinte dólares num estacionamento de Nova York em 2001 podem não parecer muito, mas quando você está completamente sem dinheiro e exposta num saguão cheio de gente do seu próprio elenco, o valor emocional da nota é infinitamente maior do que o nominal. O timing de McConaughey, sendo humano e descomplicado numa indústria que vive de aparências, explica por que a história ficou bonita em vez de vexatória.
Precisei terminar o café de pedra da Puglia pra processar que o mesmo homem que tomava chimarrão de pijama nos bastidores de Hollywood pagou estacionamento da colega com a maior naturalidade do mundo. Vinte dólares. Nem piscou. Alright, alright, alright.