A Delegacia da Criança e do Adolescente investiga a denúncia de uma adolescente de 16 anos que afirma ter sido estuprada por MC Poze do Rodo após uma festa realizada na residência do cantor, no Rio de Janeiro. A ocorrência foi registrada nesta quarta-feira, e o caso segue sob apuração.
Eu saí de casa para a academia com a bolsa no ombro e a garrafinha de água bem fechada, olhando o Cosme Velho pela janela durante o trajeto. Li a notícia com o peso que ela exige, porque não há espaço para piada quando uma adolescente relata violência. Há uma denúncia grave, uma jovem que precisa ser protegida e uma investigação que precisa caminhar com seriedade.

Segundo o boletim de ocorrência citado pela CNN Brasil, a adolescente disse que foi convidada por uma amiga para a festa, ocorrida em setembro. Ela relatou que havia consumido bebida alcoólica e uma substância conhecida como “Black Lança” e que não estaria plenamente consciente no momento da relação sexual.
Eu segui o caminho em silêncio, pensando que a palavra de uma vítima jovem não pode ser tratada como detalhe de rodapé. A apuração é necessária, o direito de defesa também, mas acolhimento e proteção precisam vir antes de qualquer espetáculo de internet.
A advogada da adolescente afirmou que a jovem teria condicionado qualquer relação ao uso de preservativo e que essa condição teria sido desrespeitada. O registro também traz relato de que, dias depois, ela teria sido coagida a retornar ao local e ameaçada.
Eu cheguei à academia e fui direto guardar a bolsa no armário, ainda com a notícia na cabeça. É duro começar o treino com uma história dessas, mas pior seria normalizar. Quando a denúncia envolve uma menor de idade, cada informação precisa ser apurada pelas autoridades sem exposição da vítima, sem torcida organizada e sem transformar dor em conteúdo.
Em nota, a Polícia Civil informou que os supostos envolvidos serão intimados para prestar esclarecimentos. A defesa de MC Poze do Rodo não se manifestou.

Eu comecei o alongamento antes do aquecimento, respirando devagar e desejando que a investigação entregue respostas com responsabilidade. Até aqui, trata-se de uma denúncia sob investigação, sem conclusão judicial. O que se espera agora é que a adolescente tenha suporte e que tudo seja apurado com o rigor que um caso tão grave exige.