Valquiria Nascimento, a Val Negra, mãe de MC Kevin, revelou que o cantor deixou R$ 1,7 mil em sua conta bancária quando morreu, em 2021. Em entrevista a Bigode Polêmico, ela também relembrou que chegou a morar com o filho em uma casa de cachorro, cedida por uma ex-patroa, quando ele tinha entre 8 e 9 anos.
Eu me sentei na poltrona perto da janela do apartamento no Chiado e deixei o celular virado para baixo por uns segundos. Porque essa não é uma história de ostentação, minhas filhas. É uma mãe tentando explicar, cinco anos depois, que a vida que construiu não caiu do céu nem veio pronta na conta do filho.

Val Negra contou que ainda recebe comentários de pessoas que atribuem sua condição financeira à herança de Kevin. “Quando o Kevin faleceu, ele deixou R$ 1,7 mil na conta”, afirmou. Segundo ela, os direitos do artista foram destinados aos filhos dele, e não aos pais.
A influenciadora disse que precisou se reorganizar logo após a morte do funkeiro. “Três dias depois eu tive que acordar e falar: ‘O que vou fazer?’”, recordou. Ela explicou que passou a trabalhar na internet com as ferramentas que tinha, depois de ter atuado como empregada doméstica.
Eu fiquei olhando a luz entrando pela janela e pensando em como o público adora resumir uma vida inteira a uma frase maldosa. Falam “conseguiu por causa do Kevin” sem querer saber quantas casas, quantos ratos, quantas faxinas e quantas noites de aperto existiram antes de qualquer fama.
Val também relembrou a época em que morou em uma pequena construção que chamava de “casinha do cachorro”. O imóvel teria sido cedido por uma antiga patroa, e Kevin ainda era criança quando os dois viveram ali.
Em outra fase difícil, mãe e filho moraram em uma casa em frente a um córrego. Val contou que adotou três gatos porque ratos entravam no imóvel diariamente. “Quando eu abria a porta 5h da manhã pra ir trabalhar, eram 3, 4, 5 ratos mortos na minha porta”, relatou.
A mãe do cantor disse que não nasceu em família rica e que veio da favela. Para ela, o trabalho nas redes foi uma forma de continuar a própria vida depois da perda do filho, sem apagar a história de luta que os dois construíram juntos antes do sucesso.

Eu peguei uma manta no braço do sofá e fiquei com uma certeza: essa não é só a lembrança de um artista que morreu cedo. É o retrato de uma mãe que viu o filho sair de uma casa precária para o estrelato e, depois, teve de descobrir como seguir de pé sem ele.