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Kátia Flávia
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Maya Massafera volta a pedir encontro com Nikolas e leva invertida: “Eu pegaria na porrada”

Influencer voltou a defender diálogo com o deputado para tentar explicar o sofrimento vivido por pessoas trans, especialmente no uso de banheiros públicos. Malévola Alves discordou da estratégia e disse que certas pessoas “não querem aprender

Kátia Flávia

14/07/2026 8h18

Maya Massafera defendeu conversar com Nikolas Ferreira sobre direitos da população trans

Maya Massafera defendeu conversar com Nikolas Ferreira sobre direitos da população trans

Maya Massafera voltou a falar sobre a possibilidade de conversar com o deputado federal Nikolas Ferreira para tratar dos direitos da população trans. Durante uma live realizada na segunda-feira (13), a influenciadora defendeu novamente a ideia de tentar dialogar com o parlamentar, conhecido por posições contrárias a pautas LGBTQIA+, e acabou levando uma invertida de Malévola Alves.

Levantei de vez no Cosme Velho com chuva fina na janela, café no fogo e o Rio naquela temperatura em que a gente veste um robe achando que virou personagem de filme europeu. Abri o vídeo ainda meio sonolenta e acordei de vez quando Malévola soltou: “Eu pegaria ele na porrada se eu visse na rua”. Minha filha, nem o café ficou tão forte quanto essa frase.

 Malévola Alves discordou da estratégia e disse: “Eu pegaria ele na porrada”
Malévola Alves discordou da estratégia e disse: “Eu pegaria ele na porrada”

A insistência de Maya no diálogo não é nova. Quando Malévola participou do programa da influenciadora, Maya já havia levantado a hipótese de sentar com Nikolas para tentar explicar a realidade da comunidade trans. Na ocasião, ela foi criticada por parte da comunidade LGBTQIA+, que viu a proposta como ingênua ou inadequada diante do histórico político do deputado. Mesmo assim, Maya voltou ao assunto.

O novo desabafo começou quando ela contou que tem medo de usar banheiros femininos em shoppings e outros espaços públicos. Maya explicou que, quando está apertada, costuma pedir ajuda à assistente Joyce para procurar um banheiro PCD, onde se sente mais segura. “Eu morro de medo de ir no banheiro de shopping ou de qualquer lugar”, disse.

A frase que mais corta é justamente a mais simples: “Eu quero ir no banheiro no shopping”. Porque por trás dela não tem capricho, não tem glamour, não tem militância de palco. Tem uma mulher dizendo que sente medo de fazer uma coisa básica em público.

Foi nesse contexto que Maya voltou a defender uma conversa com Nikolas. Ela deixou claro que não busca amizade, carinho ou aproximação política. “Não é que eu quero sentar com o Nikolas e falar: ‘ai, Nikolas, eu te amo, me dá um beijo’. Não!”, explicou. A intenção, segundo ela, seria dizer: “Nikolas, a nossa comunidade sofre, eu sofro vinte e quatro horas”.

Malévola não comprou a tese do diálogo. Para ela, figuras como Nikolas não querem aprender nem entender. “Eu não falaria, sabe por quê? Porque essas pessoas não querem aprender, não querem entender. Às vezes até já sabem”, afirmou. Depois, subiu o tom: “Eu já pegaria na porrada ele, se eu visse na rua”.

A fala é pesada, mas mostra bem o tamanho da exaustão. Maya tenta apostar na conversa, mesmo depois de já ter sido hostilizada por sugerir esse caminho. Malévola olha para o mesmo cenário e vê uma porta trancada. Uma quer tentar mudar cabeças. A outra acha que certas cabeças já decidiram permanecer fechadas.

A divergência ficou ainda mais clara quando Maya argumentou que, gostando ou não, Nikolas continuará sendo eleito e influenciando muita gente. Para ela, se ninguém da comunidade tentar conversar, talvez ele nunca entenda. Malévola rebateu lembrando casos em que pessoas parecem tolerantes até entrarem em conflito com uma mulher trans, momento em que, segundo ela, o preconceito aparece.

Nikolas Ferreira já se envolveu em polêmicas com a população trans. Em 2023, no Dia Internacional da Mulher, discursou na Câmara usando peruca e se autodenominando “deputada Nikole”, em uma fala vista como ataque a mulheres trans. Mais recentemente, também criticou a eleição de Erika Hilton para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara.

 Maya relatou medo de usar banheiros femininos em shoppings e outros espaços públicos
Maya relatou medo de usar banheiros femininos em shoppings e outros espaços públicos

Eu fico com a imagem das duas na live como um retrato duro do país. De um lado, Maya insistindo: “vamos conversar, porque eles continuam no poder”. Do outro, Malévola dizendo: “não adianta, eles sabem o que fazem”. E no meio disso tudo, a pauta que deveria ser básica: uma mulher trans querendo usar o banheiro sem medo.

A frase da porrada viraliza porque é explosiva. Mas a frase que deveria assombrar todo mundo é outra: “Eu quero ir no banheiro no shopping”. Quando um direito tão simples vira debate nacional, é porque a crueldade já se vestiu de opinião faz tempo.

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