Hoje de manhã eu estava esperando as meninas terminarem a última série na academia, no Leblon, quando uma delas largou o celular em cima do banco e perguntou: “Você viu a confusão que a Maya Massafera arrumou?”. Confesso que, do jeito que a internet anda, achei que fosse mais uma polêmica de influenciador. Peguei o telefone para conferir e percebi que o assunto era bem mais delicado. A Maya Massafera resolveu defender publicamente o diálogo com quem pensa diferente dela para discutir uma questão que, segundo afirma, faz parte da rotina de milhares de mulheres trans.
A influenciadora voltou às redes sociais nesta segunda-feira (13) para explicar o posicionamento que adotou após a repercussão de uma live em que afirmou que gostaria de conversar com o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). Segundo Maya, a intenção é apresentar a realidade enfrentada por mulheres trans, especialmente em relação ao uso de banheiros femininos em locais públicos.

“Eu quero sentar e falar: ‘Nikolas, a nossa comunidade sofre 24 horas por dia’. Eu preciso falar, porque, se nenhuma de nós falar com ele, talvez ele não entenda. Tô desesperada.”
Depois da repercussão, Maya publicou um novo vídeo reforçando que não considera incoerente buscar diálogo justamente com representantes que defendem posições diferentes das suas.
“Eu falar que quero conversar com um político de extrema-direita, que não quer que nós, mulheres trans, usemos os banheiros femininos, não é hipocrisia da minha parte.”
Segundo a influenciadora, a discussão ultrapassa a própria experiência e representa uma realidade enfrentada diariamente por muitas mulheres trans em diferentes contextos.
“É principalmente por irmãs minhas, que têm que pegar ônibus à noite, de madrugada, que têm que trabalhar à noite, ou até mesmo de dia, e precisam usar banheiros públicos.”
Na sequência, Maya também fez um questionamento direcionado à direita brasileira ao abordar o tema do uso dos banheiros.
“E agora pra extrema direita, que não quer que a gente use o banheiro feminino. Eu vou entrar num banheiro masculino com teu marido ou com teu namorado, você acha que ele vai se sentir confortável? E se você for uma mulher, eu entrar no banheiro, entrar na cabine que é totalmente fechada e sair da cabine, qual a diferença?”

Vou confessar uma coisa. Em tempos em que quase toda discussão termina em bloqueio, cancelamento ou troca de ataques, me chamou atenção o fato de a Maya defender justamente o caminho da conversa. Independentemente da posição de cada um sobre o tema, ela deixou claro que acredita que o diálogo é a única forma de explicar uma realidade que, segundo ela, ainda é desconhecida por muita gente.
Enquanto as meninas finalmente terminaram o treino e a gente caminhava para o estacionamento, fiquei pensando que essa talvez tenha sido a parte mais interessante de toda a história. Mais do que gerar repercussão nas redes, Maya colocou sobre a mesa uma discussão que continua dividindo opiniões e mostrou que pretende enfrentá-la conversando, e não apenas respondendo às críticas.