Estou aqui no Leblon, também na academia, malhando feito uma louca, suada do cabelo ao tênis, e não consigo parar de pensar no que aconteceu domingo no Maracanã. Liguei para a Margareth Serrão umas quatro vezes, não atende, porque ela também está na academia, gravando o vídeo que todo mundo já viu, e eu entendo completamente, mas preciso falar com ela porque o que eu vi me deixou com uma raiva que nem a esteira está conseguindo resolver. Continuo ligando entre uma série e outra. Não atende. Melhor assim, porque o que eu tenho a dizer primeiro é aqui, para vocês.
Brasil 6 a 2, Panamá, amistoso, Maracanã lotado com 70 mil pessoas no domingo, dia 31. Logo no primeiro minuto, Vini Jr. balança a rede, o estádio vai ao delírio, e parte dessa multidão resolve usar aquele momento para xingar Virginia Fonseca em coro, com nome, sobrenome e um palavrão que eu não vou repetir aqui, mas que todo mundo já sabe qual é. Virginia estava no camarote com amigos, visivelmente constrangida, colocou a mão no rosto na hora. Uma mulher que foi ao estádio para assistir a um jogo de futebol, e saiu de lá sendo o alvo de um xingamento coletivo organizado. Em um estádio. Com 70 mil pessoas. Em 2025.

O contexto que todo mundo conhece: Virginia e Vini Jr. namoraram sete meses, terminaram há 15 dias, em meio a rumores de traição do jogador que circularam por toda a internet. Vini Jr. se pronunciou nas redes pedindo respeito, disse que tiveram “uma relação muito bonita” e que “entre a gente está tudo bem”, pediu para as pessoas não ofenderem a Virginia e encerrou com um apelo pelo hexa. Virginia repostou e respondeu com um “Obrigada”. Dois caracteres. Seis letras. Eu li aquilo e entendi tudo sobre o estado em que ela estava.
E aí veio a Margareth. De top, suada, na academia, olhando direto para a câmera, e eu quero que vocês leiam com atenção porque cada palavra dessa mulher precisa ser ouvida: “E a vocês, homens, que agiram daquela forma ontem no estádio de futebol, fica aqui a minha indignação e dizer para vocês o seguinte: não nos abalou nada, não nos abala em nada. A agressão que vocês fizeram, que foi uma agressão, nós somos cada vez mais fortes com isso, tá? Claro, não estou generalizando, não, mas a maioria é muito, é muito ridículo. Não sabe nem respeitar uma mulher. Vai aprender a amar, vai aprender a ser educado, vai aprender a tratar bem uma mulher, porque ela merece. Continuamos mais fortes, tá? Não abala, não. Não abala, não adianta, porque não vai abalar.” Concordo com cada sílaba. A Margareth disse em voz alta o que muita gente estava pensando e fez isso de top, suada, sem roteiro, sem produção, com a verdade escorrendo junto com o suor. Isso se chama autoridade moral, e não tem academia que ensine.

Meu veredito, enquanto ainda estou aqui com o haltere na mão e o celular tocando sem resposta: torcida que vai ao estádio para xingar mulher em coro não é apaixonada por futebol, é covarde em grupo. A Margareth disse que não abala. Eu acredito nela. Mas que envergonha, isso envergonha muito.