Abri o celular e dei de cara com o post. Li em pé, no meio do saguão, e não me contive: cheguei ao portão de embarque comentando com uma desconhecida, que também já tinha visto. Notícia de gente que a gente gosta corre mais rápido que voo da ponte aérea.
Marcos Breda passou nesta quinta-feira pela décima cirurgia decorrente do acidente de moto que sofreu em 6 de maio de 2022. O procedimento foi no Hospital Dia Sancta Maggiore São Francisco, no Rio de Janeiro, e serviu para corrigir uma hérnia incisional originada da sexta operação, aquela saliência que se forma na cicatriz de uma cirurgia abdominal anterior. Ele mesmo classificou como relativamente simples diante da jornada de mais de quatro anos, agradeceu ao Dr. Gabriel Schnoor e à equipe, teve alta no mesmo dia e já está em casa, com previsão de cerca de 60 dias de recuperação.

O post é uma aula de comunicação pessoal, e olha que eu vejo assessoria profissional errar isso todo santo dia. Ele abriu com um trevo de quatro folhas, marcou como TBT, contou tudo em primeira pessoa e ainda anexou o que chamou de cronograma da jornada, justificando que astrólogos gostam de datas. Ali está a lista inteira, do acidente em maio de 2022 às dez intervenções: duas no fêmur esquerdo logo de cara, três no ombro direito, mais uma no fêmur, outras duas no ombro, uma nona no fêmur em setembro do ano passado e agora a décima. Fechou dizendo que vai celebrar a primavera e a entrada do Sol em Libra como nunca, que é um homem de sorte e que não se entrega, não. Mil duzentas e duas curtidas e mais de seiscentos comentários depois, o recado circulou sozinho, sem release, sem nota, sem intermediário.

E aqui vai a observação que me interessa. Publicar a própria cronologia médica é uma escolha, e das mais espertas. Quem transforma quatro anos de recuperação numa linha do tempo com datas encerra qualquer especulação sobre estado de saúde, corta pela raiz a manchete torta e ainda devolve ao público a única informação que importa, que é a de que existe um ponto final marcado no calendário: 23 de setembro. O homem que o Brasil conhece como Pimpim, de Que Rei Sou Eu?, e Pelópidas, de Caras e Bocas, tratou o próprio prontuário com o mesmo timing cômico dos personagens, sem melodrama e sem pedir pena. Reparem que ele nem chama de dez cirurgias, chama de décima e, entre parênteses, reza a lenda, última.
Torço para que a lenda esteja certa. E se em 23 de setembro ele quiser comemorar a chegada do Sol em Libra com alguma pompa, eu me ofereço desde já para a lista de convidados, levo o brinde e faço questão de sentar longe de qualquer moto estacionada.