Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como chefe do PCC, afirmou que não conhece Deolane Bezerra e declarou surpresa com a nova decretação de prisão contra ele na Operação Vérnix, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro ligado à facção criminosa. A manifestação foi feita por meio do advogado Bruno Ferullo nesta quarta-feira (27).
Eu tinha acabado de sentar para um almoço espremido no Iguatemi, daqueles em que a pessoa abre o cardápio já olhando o relógio da próxima reunião, quando o celular trouxe Marcola, Deolane e uma transportadora de fachada para a mesa. A salada perdeu completamente a autoridade. São Paulo tem disso: você tenta comer em paz e a pauta chega algemada, com inquérito, sigilo bancário e nome de facção no guardanapo.

Segundo o advogado, Marcola “manifestou surpresa e indignação com o inquérito policial/investigação que motivou a decretação de sua prisão preventiva” no âmbito da Operação Vérnix, conduzida pelo Ministério Público de São Paulo. Ele também declarou “desconhecer os investigados Deolane e Everton”, apontado como operador do esquema.
A investigação afirma que o esquema de lavagem envolveria uma transportadora de cargas sediada em Presidente Venceslau, no interior de São Paulo, controlada pela cúpula do PCC. A empresa repassaria recursos para outras contas para dificultar o rastreamento do dinheiro. Duas dessas contas, segundo os investigadores, estariam em nome de Deolane.
“Marcos manifestou surpresa e indignação, declarando desconhecer os investigados Deolane e Everton, afirmando que seu único vínculo com o caso se restringe ao parentesco com seus sobrinhos Leonardo e Paloma e com seu irmão Alejandro”, afirmou Bruno Ferullo.
O advogado também disse que Marcola nega participação nos fatos investigados e qualquer relação direta ou indireta com a transportadora citada no inquérito: “Ele negou qualquer participação nos fatos investigados, bem como a titularidade, direta ou indireta, da transportadora mencionada na investigação, relatando que tampouco possui o vulgo ‘narigudo’ que lhe é atribuído pela autoridade policial”.
Ainda segundo a manifestação, Marcola ressaltou que está preso desde 1999 e custodiado em penitenciária federal de segurança máxima desde 2019, “em regime de total incomunicabilidade”. A defesa informou que entrou com pedido de habeas corpus no Tribunal de Justiça de São Paulo em favor dele, da irmã e de dois sobrinhos também alvo da operação: Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho.

Deolane foi presa na quinta-feira (21), em sua casa em Barueri, na Grande São Paulo. A defesa da influenciadora afirmou, em nota, que ela é inocente e que “os fatos serão devidamente esclarecidos por esta”.
Eu fechei o cardápio sem saber se pedia café ou habeas corpus. De um lado, Marcola dizendo que não conhece Deolane. Do outro, a investigação apontando contas, depósitos, transportadora e operador foragido. A tarde no Iguatemi seguiu elegante por fora, mas por dentro virou planilha policial com talher de sobremesa.