Estava aqui no Cosme Velho, recebendo o release com a história completa da Manu Buffara, quando percebi que precisava parar tudo para contar esse babado de alto nível. A chef curitibana que abriu o restaurante Manu em 2011, numa cidade que ninguém apostaria como polo gastronômico de peso, acaba de confirmar o movimento mais elegante do ano: em 2026, ela assume a cozinha de um restaurante na Comporta, em Portugal, em parceria com o grupo Experimental. Quem conhece o grupo sabe que não é brincadeira, o portfólio deles é dos mais respeitados da Europa.
O currículo da Manu já era para calar a boca de qualquer crítico. Melhor Chef Mulher da América Latina em 2022 pelo Latin America’s 50 Best, Três Facas no The Best Chef Awards 2024, Sustainable Restaurant Award no bolso. Ela passou pelo Noma, em Copenhague, e pelo Alinea, em Chicago, antes de decidir que Curitiba era o lugar certo para sua cozinha autoral, aquela que prioriza produtores locais, biodiversidade brasileira e ingredientes sazonais. A Comporta, com o mar, a terra e os produtos locais da região, é exatamente o tipo de território que faz a cabeça da Manu funcionar a mil.

Mas a história não para na cozinha. A Casa Manu virou uma marca estruturada em quatro frentes: Casa Manu Home, Sports, Kitchen e Sachês Perfumes. O Instituto Manu Buffara, fundado em 2019, trabalha educação alimentar com foco em mulheres e crianças. Tem livro infantil, “Comidinhas Mágicas”, pela Editora Senac São Paulo. Tem madrinhado o projeto Hortas Comunitárias em Curitiba. Manu Buffara construiu uma das trajetórias mais coerentes da gastronomia brasileira, cada movimento conectado ao anterior, sem pirotecnia de marketing barata.

Mãe de duas meninas que crescem entre aeroportos, cozinhas e culturas do mundo, a chef prova que dá para ter tudo junto sem parecer cansada. Essa mulher não cozinha apenas, ela pensa, ela ensina, ela expande. E faz tudo isso com uma elegância que envergonha muita gente grande do mercado.