Eu estava em Petrópolis, encerrando um daqueles cafés da manhã de serra que se arrastam por três horas numa manhã de domingo, quando o celular vibrou no meio do pão de queijo. Era a Marlene, minha informante vitalícia dos corredores da TV esportiva, em chamada de vídeo, doida pra falar de um sucesso que eu já vinha namorando de longe. O nome em questão era Luiz Carlos Júnior, o homem que virou a trilha sonora da maior Copa do planeta para a torcida tupiniquim. Larguei a geleia, ajeitei o cabelo no reflexo da janela e liguei o modo coluna ali mesmo.
O babado é dos bons e, ainda por cima, verdadeirinho da silva. Luiz Carlos Júnior foi o escolhido do SporTV para narrar os jogos da Seleção Brasileira na Copa de 2026, aquela histórica disputada nos Estados Unidos, México e Canadá, a primeira com 48 seleções na dança. E não parou por aí, porque coube a ele também a narração da partida de abertura do Mundial, no lendário Estádio Azteca, na Cidade do México. No apito mais esperado do planeta, era a voz dele que abria a festa para milhões de brasileiros no canal fechado.
Quem acha que isso caiu no colo dele de paraquedas não conhece a novela dos microfones da Globo. Luiz Carlos Júnior tem mais de três décadas de estrada e ajudou a levantar o próprio SporTV lá atrás, em 1991, quando o canal ainda atendia pelo nome de Top Sport. Já narrou Copa do Mundo na Alemanha e na África do Sul, e foi subindo degrau por degrau até esse posto de confiança absoluta. Com Luis Roberto afastado por questão de saúde, Everaldo Marques segurando a Seleção na Globo aberta e Galvão Bueno reaparecendo lá no SBT, o tabuleiro inteiro se mexeu, e foi o nosso carioca quem ficou com a cadeira nobre do fechado.
Fora do estúdio, o homem entendeu o jogo da nova era e foi pra cima das plataformas digitais que nem peão em fila de buffet. No Instagram, onde acumula mais de 400 mil seguidores, ele escancara os bastidores da cobertura, mostra o que rola muito além dos 90 minutos e conversa com uma geração que descobriu futebol pelo celular. Tem até documentário rodando sobre a trajetória dele, o tal “Onde Estiver, Estarei”, prometendo esmiuçar a vida desse senhor do microfone. É a velha escola fazendo as pazes com o algoritmo, e funcionando que é uma beleza.
Numa Copa entupida de craque dentro de campo e de ego fora dele, sobra para o narrador a tarefa ingrata de transformar arrepio em palavra, e Luiz Carlos Júnior faz isso sem gaguejar. Esse é o tipo de protagonista que dispensa correr atrás de holofote, porque é o holofote que corre atrás dele na hora em que a emoção precisa chegar na sala de casa. Pode anotar o palpite dessa fofoqueira tarimbada, que dessa Copa muita gente vai esquecer o placar e lembrar da voz. E eu, claro, vou estar com o volume do SporTV no último ponto, de óculos escuros dentro de casa, só pra não perder o show.