Eu estava aqui acompanhando os desdobramentos dessa Copa do Mundo quando recebi a notícia sobre Luis Roberto e resolvi deixar de lado, por um instante, o glamour costumeiro da coluna. No início de abril, o narrador foi diagnosticado com uma neoplasia na região cervical, um tumor descoberto em exames de rotina, e precisou se afastar das transmissões de futebol da TV Globo, inclusive da cobertura deste Mundial. Quem assumiu o microfone em seu lugar foi Everaldo Marques.
Neste domingo, Luis Roberto apareceu ao vivo no Domingão com Huck, no palco, para contar como está o tratamento. Foram 43 sessões ao todo, 36 de radioterapia e 7 de quimioterapia. “É um tratamento pesado”, confessou ele, sem meio termo, sem drama de novela, só a verdade nua de quem está enfrentando algo grande.

O momento mais bonito veio quando ele se emocionou ao ver uma reportagem retrospectiva do jornalista Pedro Bassan e uma mensagem gravada pela própria mulher. “Saímos vitoriosos dessa batalha”, disse ela. “Estou a caminho da cura”, completou o narrador, valorizando a medicina brasileira. Antes do jogo entre Brasil e Noruega, Luciano Huck o abraçou ao vivo, e Luis Roberto agradeceu a avalanche de carinho que recebeu, dizendo que isso lhe deu saúde mental para encarar o desafio. “A gratidão me move”, resumiu.

Vale lembrar a trajetória dele para entender o tamanho do recado. Luis Roberto começou no jornalismo em rádios paulistas, chegou à TV Globo em 1998 e, depois da saída de Galvão Bueno da emissora, se tornou o principal locutor da casa, a voz que carrega o peso simbólico de narrar Copa do Mundo para o Brasil inteiro. Ver esse profissional colocando a própria saúde em primeiro lugar, com a transparência que teve hoje, é o tipo de bastidor que vale mais que qualquer treta de mercado que eu costumo comentar por aqui.