Eu estava no Recinto do Santuário de Fátima, admirando os peregrinos que atravessam aquela esplanada de joelhos, a guarda mais resistente que já vi na vida, quando o telefone tocou. Era gente do Combate me avisando de uma estreia. Pá, a coincidência foi tanta que eu olhei para o céu. Joelho no chão, fé no peito e um faixa preta indo para a TV: o universo estava mandando recado.
Está confirmado. Viajando de Kimono, série documental do canal Combate em coprodução com a Caravana Filmes, estreia nesta quinta, dia 8 de outubro, com os dois primeiros episódios a partir das 19h. São dez episódios ao todo, sempre dois por quinta, durante cinco semanas. Quem não tem o canal pode respirar: logo depois da exibição, os capítulos entram no Globoplay para os assinantes.

O protagonista é Lucas Laet, faixa preta da GF Team, que vai rodar o universo do jiu-jítsu brasileiro sob a direção de Pedro Cupolillo. A jornada começa nas raízes dele na GF Team, no Rio, passa pela pressão do Grand Slam Rio e segue para São Paulo, onde ele visita estruturas que formam campeões. No caminho aparece um elenco de dar inveja a qualquer pódio: Erich Munis, Felipe Preguiça, Gabi Pessanha, Isaque Bahiense e Patrick Gaudio, além de mestres, treinadores e gente que fez do tatame um estilo de vida.
Agora vem a parte boa, aquela que eu adoro. A série promete discutir mercado, remuneração e legado. Gente, falar de quanto ganha atleta de jiu-jítsu no Brasil é assunto que muita federação prefere deixar para depois do pequeno almoço, do almoço e do jantar. Se Laet botar o dedo nessa ferida com franqueza, a série ganha muito pontinho comigo.
Nos episódios seguintes, a conversa fica ainda mais séria e necessária: a presença negra na modalidade, a ligação entre o judô e o jiu-jítsu, o crescimento do NoGi e o vínculo afetivo dos atletas com academias, cidades e pessoas que marcaram cada trajetória. Na reta final, a câmera vira para o próprio Laet, com reencontros e memórias da temporada inteira.
Eu saí de Fátima convencida de duas coisas. A primeira é que Portugal está precisando de mais academia de jiu-jítsu, porque esse pessoal que atravessa o santuário de joelhos já tem metade do treino feito. A segunda é que quinta, às 19h de Brasília, meia noite aqui, eu estou de bica na mão e Combate no celular. Quem quiser me encontrar, está avisado: estarei no tatame.