Menu
Kátia Flávia
Kátia Flávia

Luan Santana vira trunfo do SBT em show ao vivo no Allianz Parque

Emissora vai transmitir ao vivo, no sábado, 14, a estreia da turnê Registro Histórico, direto de São Paulo. Gaby Cabrini comanda a exibição, enquanto Fofoquito acompanha os bastidores da entrada de Luan no palco.

Kátia Flávia

12/03/2026 9h00

Atualizada 11/03/2026 21h50

image004

A transmissão da nova turnê do cantor será transmitida no sábado (14) ás 20hs no SBT (Fotos: Eryck Patryck)

Eu estava aqui, meu povo, naquela liturgia particular que jura que vai só dar uma olhadinha rápida no material e, cinco minutos depois, já está imaginando câmera aberta, plateia em êxtase, diretor berrando no ponto e o sertanejo brasileiro servindo espetáculo com vocação de evento nacional. O SBT decidiu transmitir ao vivo a estreia de Registro Histórico, nova turnê de Luan Santana, e eu já senti aquele perfume de operação para chamar atenção, segurar público e dizer em rede aberta que ainda sabe fazer barulho.

A transmissão acontece no sábado, 14, a partir das 20h, direto do Allianz Parque, em São Paulo. A apresentação terá Gaby Cabrini no comando, com Fofoquito circulando pelos bastidores e acompanhando os momentos que antecedem a entrada do cantor no palco. E aqui eu confesso uma coisa, meus fofoqueiros de elite. Eu tenho um carinho antropológico por essa combinação de grande show, TV aberta e bastidor vigiado por personagem fofoqueiro. Isso sempre tem um sabor de festa popular com ambição de acontecimento.

O timing foi montado com uma malícia boa de televisão. O show acontece um dia depois de Luan completar 35 anos, o que já ajuda a empacotar a noite como celebração dupla, aniversário e estreia de label, com direito a catarse coletiva de fã, cobertura em tempo real e um artista já muito treinado em transformar a própria trajetória em produto emocional. Eu falo isso sem cinismo barato, porque Luan faz isso bem. Ele conhece o próprio repertório afetivo e sabe vender memória como poucos.

07b25b75 71bf 4693 8b0b e81d03891107
Fotos: Eryck Patryck

E memória, meu bem, é justamente a mercadoria da vez. O projeto Registro Histórico revisita momentos marcantes da carreira e foi concebido para celebrar fases diferentes da trajetória do cantor. Traduzindo para o português sentimental da indústria do entretenimento, é a consagração em formato de palco, LED, passarela e multidão cantando refrão como se estivesse assinando documento em cartório emocional.

A produção anunciada é de grande porte, com cenário imersivo, passarela em formato de S e painéis de LED desenhados para ampliar a experiência visual. Eu adoro essa expressão, experiência visual, porque ela sempre tenta dar verniz de instalação artística para o que também é, com toda a glória, um show pensado para fazer gente chorar, filmar e postar. E está tudo certo. Música pop e sertanejo vivem dessa mistura de sinceridade afetiva com cálculo cênico.

No repertório, Luan passeia por sucessos que atravessaram gerações de fãs, como Meteoro da Paixão, Você Não Sabe o Que É Amor, Escreve Aí e Te Vivo, além das músicas que integram essa nova fase do projeto. Eu já consigo visualizar o Allianz naquele momento em que o artista puxa um hit antigo e o estádio inteiro resolve virar coral de ex-amor, casamento salvo, namoro lembrado e adolescência ressuscitada. O Brasil é muito eficiente em transformar sofrimento romântico em espetáculo coletivo.

image006
Fotos: Eryck Patryck

E tem um dado que ajuda a explicar por que o SBT topou vestir esse figurino de emissora que quer evento, música e povo tudo junto. Os ingressos para a apresentação do dia 14 se esgotaram em apenas quatro horas. Isso não é detalhe de agenda. Isso é termômetro de força comercial, fidelidade de público e poder de mobilização. Em televisão, números assim funcionam como decote bem cortado em festa de prêmio, ninguém ignora.

O mais interessante, para mim, é ver o SBT tentando reforçar essa tradição de grandes transmissões ao vivo ligadas ao entretenimento popular. A emissora entende uma coisa que muita TV esquece com uma arrogância quase acadêmica. O público gosta de evento que parece evento. Gosta de sentir que está vendo algo que está acontecendo naquele instante, com erro possível, improviso, gritaria de plateia e gente entrando na sala de casa sem pedir licença.

Gaby Cabrini nesse cenário aparece como rosto de condução, enquanto Fofoquito cumpre a função do mensageiro da ansiedade nacional. Quem já viu bastidor de show sabe que existe ali um pequeno teatro paralelo, camarim em ebulição, equipe correndo, artista se concentrando, convidado tentando circular e assessor fingindo serenidade. Colocar uma figura dessa fauna para capturar o antes do palco é uma decisão esperta. Aproxima, esquenta, cria expectativa e entrega a ilusão deliciosa de acesso.

Eu ri de mim mesma aqui porque comecei lendo isso com uma postura blasé de quem já viu muita emissora anunciar espetáculo e, no meio do caminho, já estava mentalmente escolhendo qual hit renderia o momento mais dramático da noite. A verdade é simples. Luan Santana continua sendo um dos nomes mais fortes do sertanejo de massa, o SBT quer transformar a estreia da turnê em grande vitrine ao vivo, e o pacote vem pronto para fazer bonito na audiência e no barulho digital.

A imagem final, meus amores, é muito boa. Allianz Parque lotado, Luan entrando para celebrar a própria história, câmera do SBT aberta para o país inteiro, Fofoquito rondando bastidor e o público em casa com aquela sensação tipicamente brasileira de que, por algumas horas, a televisão ainda consegue organizar uma grande noite.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado