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Kátia Flávia
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“Linchamento” e “ovos podres”: local do casamento de filho de Moraes vaza, e perfis bolsonaristas falam em “dar uma lição”

Kátia Flávia

06/09/2026 11h08

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Alexandre Barci de Moraes é advogado e filho do ministro Alexandre de Moraes

Mensagens nas redes defendem protesto contra a celebração privada de Alexandre Barci de Moraes, advogado e filho do ministro do STF; não há mobilização oficialmente confirmada

Informações sobre o casamento de Alexandre Barci de Moraes, filho do ministro Alexandre de Moraes, vazaram nas redes sociais e passaram a ser usadas por perfis bolsonaristas para convocar protestos contra a cerimônia. Entre as mensagens, há referências a “linchamento público”, “ovos podres” e à intenção de “dar uma lição” à família.

Eu tinha deixado “Leite Derramado” fechado no sofá depois da primeira leva dessa história, mas precisei abrir o celular outra vez. Porque a fofoca de casamento virou uma coisa completamente diferente quando apareceu gente tratando um evento privado como se fosse praça de guerra política.

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Informações sobre o casamento circularam nas redes sociais

Alexandre Barci, advogado, se casa com Thaís ainda neste mês, em São Paulo. O nome da noiva e o “save the date” da cerimônia começaram a circular nas redes, e o que era para render curiosidade sobre vestido, lista de convidados e tamanho da festa passou a alimentar postagens agressivas contra o pai do noivo.

Um dos perfis compartilhou a localização do evento e escreveu sobre fazer uma “baguncinha” no casamento com ovos podres. Outro usuário afirmou que o “linchamento público” seria a única reação possível para pessoas indignadas. Eu larguei o celular no braço do sofá porque não existe versão charmosa de usar um casamento alheio para ameaçar família de autoridade pública.

As mensagens tentam justificar a hostilidade como resposta às condenações pelos atos golpistas de 8 de Janeiro e às recentes revelações envolvendo Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. É o tipo de lógica torta que transforma discordância política em autorização para atingir filho, noiva, convidados e trabalhadores de uma festa.

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Perfis passaram a defender protestos contra a cerimônia privada

Eu levantei para buscar água na cozinha, ainda pensando na palavra “lição”. Quem exatamente essas pessoas imaginam que vão “ensinar” ao aparecer para constranger uma noiva no dia do casamento? Porque, no fim, não é protesto contra uma decisão judicial, nem cobrança institucional. É intimidação direcionada a uma família num momento particular.

Até agora, não há ato oficialmente confirmado, autorização divulgada ou informação de que qualquer manifestação tenha sido formalizada. O que existe são postagens de perfis nas redes defendendo ações contra a cerimônia e reproduzindo linguagem de hostilidade.

O problema começa quando detalhes pessoais circulam sem freio e termina quando alguém se sente no direito de aparecer para “dar uma lição”. Eu voltei para a sala com meu copo d’água e achei até o domingo nublado mais sensato do que essa turma. Casamento não é extensão de CPI, sessão de tribunal ou campo de batalha de rede social.

A família não se manifestou sobre as mensagens. E deveria nem precisar: uma celebração privada não pode virar endereço de vingança política. Quem chama isso de protesto está tentando colocar laço de presente numa ameaça.

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