A médica Licia Mota, professora e pesquisadora da Universidade de Brasília (UnB), foi eleita presidente da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR) para o biênio 2028–2030. Ela será a primeira representante do Distrito Federal e a terceira mulher da história a comandar a entidade.
Nascida, criada e formada em Brasília, Licia construiu uma trajetória que reúne assistência médica, pesquisa científica, docência e atuação institucional. É professora dos programas de pós-graduação em Ciências Médicas e Patologia Molecular da UnB, atua no Hospital Universitário de Brasília e possui mais de 200 trabalhos científicos publicados.

“Recebo essa eleição com profunda gratidão e, sobretudo, com um enorme senso de responsabilidade. Foi em Brasília que construí minha trajetória acadêmica, assistencial e científica, e é muito simbólico levar essa história para a presidência de uma sociedade nacional”, afirma.
Segundo a médica, a eleição também representa o reconhecimento da universidade pública e da produção científica desenvolvida na capital do país.
“Quero que essa conquista represente o reconhecimento da força da universidade pública, da medicina e da ciência produzidas em Brasília, e que possamos ampliar ainda mais essa voz dentro e fora do Brasil”, completa.
A chegada à presidência resulta de mais de duas décadas de participação associativa. Na SBR, Licia ocupou a diretoria científica durante a gestão 2024–2026 e participou da elaboração da programação do 43º Congresso Brasileiro de Reumatologia.
A especialista também presidiu a Sociedade de Reumatologia de Brasília, coordenou durante mais de dez anos a Comissão de Artrite Reumatoide e integrou a Ouvidoria e a Comissão de Tecnologia e Mídias da entidade.
Sua trajetória inclui ainda a presidência do Congresso Brasileiro de Reumatologia de 2016, a presidência científica do Congresso PANLAR 2022, realizado em Miami, e a presidência do Congresso PANLAR 2023, no Rio de Janeiro. Atualmente, Licia está à frente da comissão de comunicação da Liga Pan-Americana de Associações de Reumatologia.
Entre as prioridades anunciadas para a futura gestão estão a valorização da ciência produzida no Brasil, a educação médica continuada, a integração entre associados e sociedades regionais, a ampliação da atuação internacional da SBR e a incorporação responsável de novas tecnologias.
“Temos pesquisadores, universidades, hospitais e sociedades científicas capazes de produzir conhecimento de excelência e de dialogar em igualdade com os principais centros do mundo. Quero ampliar nossa presença, criar novas pontes e dar cada vez mais visibilidade à medicina e à ciência produzidas no Brasil”, declara.

A eleição também reforça a presença feminina na liderança das sociedades científicas. Para Licia, entretanto, a representatividade deve estar associada a uma trajetória consistente de produção científica, formação profissional e trabalho institucional.
“Essa representação importa. Mas gostaria que ela fosse compreendida dentro de algo maior: uma trajetória construída durante muitos anos pela produção científica, pela formação de pessoas, pelo trabalho associativo e pela defesa de uma medicina brasileira forte, moderna e internacionalmente reconhecida. Liderança não é apenas ocupar um espaço, mas ajudar a transformá-lo de forma significativa”, conclui.