Amores encontrei uma manicure que sabe mais da Globo que muito diretor e um grupo de WhatsApp que deveria ter sigilo de Estado, o nome do dia é Letícia Colin. A atriz chega a Quem Ama Cuida com a missão de carregar a novela das 9 no colo, no peito e na lágrima. E protagonista desse horário, meu amor, não se interpreta com educação, se enfrenta com fome.
Na trama, Letícia vive Adriana, fisioterapeuta batalhadora que começa a história levando rasteira da vida em sequência. Ela perde o emprego, a casa e o marido em uma enchente devastadora, vai parar em um abrigo e tenta reconstruir o que sobrou. Depois, cruza o caminho do milionário Arthur Brandão, vivido por Antonio Fagundes, aceita um casamento de conveniência e acaba acusada de assassinato no dia da cerimônia.
O pulo do gato é que Letícia não chega como promessa tímida, chega como atriz pronta para consagração. Ela já mostrou força em papéis intensos, brilhou como vilã, foi elogiada em trabalhos recentes e agora ganha uma mocinha com tragédia, romance, injustiça, vingança e virada popular. É o tipo de papel que dá close, meme, debate, prêmio e fã defendendo no X como se fosse parente.
Também ajuda, e muito, o entorno de luxo. Tem Tony Ramos, Antonio Fagundes, Chay Suede, Isabel Teixeira e um novelão com assinatura de Walcyr Carrasco e Claudia Souto, ou seja, não estamos falando de uma novelinha de chá morno. Estamos falando de herança, crime, família venenosa, amor impossível e sofrimento suficiente para abastecer três ceias de Natal.
Se Quem Ama Cuida acertar o tom, Letícia Colin pode sair de 2026 como a atriz do ano. Adriana tem tudo o que uma protagonista popular precisa: dor, coragem, injustiça, carisma e uma vontade de vencer que atravessa a tela. E eu, que já vi muita mocinha sem sal pedir passagem, aviso do meu sofá milionário: se Letícia vier com sangue nos olhos, vai ter estrela fazendo cara de aplauso com gastrite.