A Justiça do Rio de Janeiro determinou que a CazéTV apresente, em até 48 horas, a íntegra do contrato de prestação de serviços de Romário, além de notas fiscais, recibos e comprovantes bancários dos pagamentos feitos ao ex-jogador. A medida faz parte de uma cobrança judicial de cerca de R$ 32,4 milhões contra o senador.
No intervalo entre uma conferida nos documentos da viagem e outra, eu sentei no sofá para entender essa novela financeira. Porque não é só um contrato de comentarista que está na mesa: a Justiça quer saber por onde o dinheiro passou, para quem foi destinado e se os valores que deveriam chegar a Romário podem ter sido encaminhados a outras empresas.
O problema é que a CazéTV apresentou um contrato com trechos ocultados. Segundo a decisão, as tarjas impediram a análise das condições do vínculo e dos valores acertados. Agora, a empresa terá de entregar a documentação sem cortes, inclusive propostas, contratos paralelos e comprovantes dos repasses.

A ação corre sob segredo de Justiça e foi movida pela Koncretize Projetos e Obras Ltda. A cobrança tem origem em uma disputa antiga ligada ao Café Onze Bar, empreendimento do qual Romário foi sócio. O contrato discutido na Justiça foi firmado em 2011, e a dívida cresceu com juros, correção monetária e outros encargos até alcançar cerca de R$ 32 milhões.
Eu fiquei olhando para a tela e pensando no tamanho da conta. Segundo informações já divulgadas sobre o processo, o valor original girava em torno de R$ 1,5 milhão. Duas décadas depois, a cobrança virou uma cifra de oito dígitos, com penhora de patrimônio e agora o foco nos ganhos do Baixinho na televisão.
Romário trabalhou como comentarista da CazéTV durante a Copa do Mundo de 2026. A Justiça já havia determinado a penhora dos valores que ele teria a receber pelo trabalho no canal, justamente para garantir o pagamento da dívida cobrada pela empresa.

A nova decisão também determina que os repasses ligados a Romário sejam interrompidos e depositados em juízo. O objetivo é impedir que recursos eventualmente penhoráveis escapem da execução por meio de empresas ou terceiros que não aparecem formalmente como partes no processo.
A empresa que figura no contrato tem como sócios dois profissionais que trabalham para Romário. Por isso, eles também deverão apresentar contratos, recibos e comprovantes bancários ligados à atuação do senador na CazéTV e na Romário TV. Não há, até aqui, conclusão judicial de irregularidade: a ordem busca esclarecer o caminho do dinheiro.
O processo já resultou na penhora de um imóvel, uma lancha e um Porsche ligados ao ex-atacante, além de restrições sobre um Audi e um Peugeot. A defesa de Romário informou anteriormente que pretendia recorrer das medidas.
Eu fechei o notebook e fiquei com uma certeza: o maior artilheiro daquela área agora está no centro de uma partida judicial pesada. E, desta vez, quem quer saber o placar é a Justiça, com contrato completo, nota fiscal e comprovante na mesa.