Bruno Fagundes criticou a escolha de Juliano Floss para o elenco de Paraíso Perdido, novela da Globoplay prevista para estrear em 2027. Nos stories, o ator questionou o espaço dado a influenciadores em produções de dramaturgia e disparou: “Carisma não segura cena”.
Eu mal tinha acordado no Cosme Velho, com aquele domingo prometendo paz, quando vi Bruno Fagundes decidindo que a cama, o café e a tranquilidade podiam esperar. Porque o ator abriu uma discussão que faz muito profissional da Globo sentar na cadeira e respirar fundo.
A crítica veio depois de Sérgio Goldenberg, um dos autores da novela, defender a escolha de Juliano pelo carisma. Bruno compartilhou a notícia e escreveu: “Mais um dia de: atores perdendo oportunidade para influs”.

Em seguida, ele tentou separar as coisas e afirmou que o problema não seria a escalação em si. “O sistema de celebridade faz a roda do mercado girar. Fato!”, reconheceu. Mas tratou de completar que popularidade e seguidores não substituem preparo para sustentar um personagem.
“Também já foi provado que número não garante sucesso, carisma não segura cena, não basta pra trazer verdade ao texto”, escreveu Bruno. Ele ainda citou Nelson Rodrigues e defendeu que atuação exige “estrada e técnica” para entregar camadas e diferentes níveis de entendimento.
Eu fiquei olhando para o teto pensando que essa frase é um tapa de luva branca, mas com a mão inteira dentro. Porque ele não chamou Juliano de incapaz, porém deixou claro que vê a escolha como mais uma derrota para atores que estudaram, fizeram curso, teatro e teste até gastar o sapato.
Juliano Floss vai interpretar Heitor, filho do personagem de Alexandre Nero. Na trama, pai e filho se apaixonam pela mesma mulher, em uma história criada por George Moura e Sérgio Goldenberg e inspirada em peças de Nelson Rodrigues.

A produção terá 40 capítulos e será feita para o streaming. Bruno disse esperar que os responsáveis tenham visto em Juliano as qualidades que ele considera necessárias para o papel, mas não escondeu a frustração: “Não deixa de ser frustrante ver o critério navegando abaixo do que tanto profissional pode oferecer”.
Domingo mal começou e já temos um ator expondo a ferida que ninguém quer encostar: quando o algoritmo entra pela porta da dramaturgia, a formação artística fica esperando no corredor. E eu vou fazer meu café, porque essa conversa ainda vai render muito mais que uma temporada.