Juliano Cazarré voltou a se pronunciar após ser criticado por Eduardo Moscovis por declarações em que comparou assassinatos de homens com casos de feminicídio. Em vídeo nas redes sociais, Cazarré não citou o colega pelo nome, mas respondeu diretamente à fala de Moscovis e elevou o tom da discussão.
Eu terminei o café na bancada, enxaguei a xícara e fiquei parada diante do celular por um segundo. Sábado acabou de começar e já tem dois atores conhecidos trocando farpas por causa de um tema sério demais para ser tratado como campeonato de quem fala mais alto.
A crítica de Moscovis veio depois de Cazarré fazer uma comparação entre os números de mortes de homens e mulheres. “É um absurdo. É muito delicado falar de um colega, mas, enfim. Como pode ser admissível um cara, qualquer que seja ele, mas principalmente uma figura pública, afirmar que o número de assassinatos e ataques do homem em relação a mulher seja inferior? Da onde? Numa boa. Não tem princípio de conversa sobre isso”, afirmou.

Cazarré reagiu dizendo que Moscovis deveria cobrar o Ministério da Justiça, e não ele. “Vem um cidadão, um colega de profissão meu, falar que o problema é que eu disse um número que os homens matam. O problema não é esse”, disparou. Em seguida, reclamou da repercussão em torno de suas falas e afirmou que tentam “queimar mais a p*** do meu filme”.
Eu dobrei a lista da feira e coloquei na ecobag as sacolas reaproveitáveis, porque o sol já estava pedindo rua. Mas uma coisa ficou martelando: quando uma figura pública fala sobre violência contra mulheres, a reação à crítica não pode ser deslocar o debate para uma suposta perseguição pessoal.

O feminicídio não é apenas uma estatística entre outras. É o assassinato de mulheres motivado por violência de gênero, resultado de uma estrutura que faz muitas vítimas serem atacadas justamente por serem mulheres. Moscovis questionou a comparação por esse motivo, não por uma disputa de opinião sobre qual violência mereceria atenção.
Cazarré tem direito de rebater um colega e defender o próprio ponto de vista. O problema é que sua resposta transformou uma crítica sobre responsabilidade pública em um desabafo contra quem o contestou. Meu amor, ninguém precisa concordar com ninguém, mas perder a linha não fortalece argumento.
Eu conferi se tinha levado carteira, chave e a lista de compras: banana, tomate, manjericão, flores e pão para mais tarde. Ao fechar a porta, deixei uma conclusão pronta para esse barraco: Eduardo Moscovis falou de feminicídio; Juliano Cazarré respondeu falando de si. E essa diferença diz bastante.