Gente, eu estava aqui em Milão, máscara de pepino no rosto, uísque energético na mão esquerda, esperando minha esteticista terminar a drenagem, quando minha fonte ligou do Brasil gritando “Kátia, você viu o tapete do Melhores do Ano?” Não vi, mas em trinta segundos eu já sabia tudo. Esse babado tem cheiro de cena ensaiada que deu errado, e eu precisava processar.
O fato é o seguinte, objetivo, sem enfeite: Julia Dalavia chegou ao tapete vermelho da Globo no domingo, 29, viu Pedro Novaes, abraçou o menino com aquele sorriso de quem acabou de passar pelo retoque, e simplesmente ignorou Letícia Spiller, que estava colada ao filho. Letícia estava lá, presente, olhando, e o desconforto dela foi visível para quem acompanhava a cena. Não foi distração, não foi falta de visão periférica. Tapete vermelho tem luz, tem câmera, tem mirante.
No digital, o movimento foi curioso: o vídeo circulou rápido, os perfis de fofoca bombaram, e a quantidade de contas que ficaram no curtir e calar foi expressiva. Ninguém de dentro do núcleo postou nada, nenhum amigo comum acionou o modo “tudo bem, gente”, que é o sinal mais claro de que não está tudo bem. O feed de Julia continuou como se domingo fosse qualquer domingo.
Minha leitura de boteco, sem crueldade: sogra e nora que não se entendem é clássico do folhetim brasileiro, mas a Globo com suas câmeras transforma isso em cena de novela das nove, com trilha implícita e tudo.
O abraço caloroso no Pedro na frente da mãe tem uma gramática própria, e quem entende de narrativa reconhece. Ou Julia estava tão focada no ex que o resto do cenário sumiu, ou fez uma escolha consciente de posicionamento naquele tapete. As duas hipóteses me interessam igualmente.
E olha, no fim das contas, Letícia Spiller sobreviveu a muita coisa nessa vida artística, inclusive a roteiro de novela ruim. Ficar desconfortável num tapete vermelho é só mais um episódio na carreira de uma mulher que já ganhou o Prêmio APCA, e ela não precisou dizer uma palavra, porque a câmera disse por ela.