Estava aqui no Cosme Velho quando meu telefone explodiu, e a primeira mensagem era da própria Virginia, que manda áudio quando está nervosa e texto quando está serena, e chegou em texto. Juca Kfouri foi ao ar com a frase que rodou o Brasil inteiro: disse que Virgínia Fonseca “mal concatena duas frases” e que colocá-la como repórter especial da Copa do Mundo é a vitória definitiva do entretenimento sobre o jornalismo de verdade, em detrimento das repórteres que estudaram anos para cobrir o evento.
O problema é que Juca errou o fato. Virgínia não é repórter contratada da TV Globo para cobrir a Copa, ela vai apresentar um quadro de entretenimento dentro do Domingão com Huck, programa de domingo que nunca fingiu ser telejornal. A proposta, divulgada pelo próprio Luciano Huck, é mostrar bastidores, perrengues chiques, restaurantes e roteiro de viagem nas cidades-sede.
Huck e Angélica foram pessoalmente convencê-la a não desistir do projeto depois do término com Vini Jr., convocado por Ancelotti para jogar exatamente na Copa que ela vai cobrir pelo lado do entretenimento.
Nas redes, a frase do Juca virou grito de guerra de jornalistas indignados postando prints com identificação total, e o X foi à loucura com o plot twist de Virginia, ex de Vini Jr., aparecendo na Copa onde ele vai jogar. A influenciadora respondeu com stories cifrados, celebrou com “2026 é nosso e o hexa vem”, e seguiu em frente sem drama visível.
A coluna respeita o Juca Kfouri de um jeito que poucos merecem nesse país. Mas nenhum respeito impede correção: Virgínia vai fazer entretenimento em programa de entretenimento, e a vaga que ela ocupa nunca existiu no telejornalismo esportivo. O jornalismo que Juca quer defender merece exatamente isso: começa por checar o fato antes de ir ao ar.