Ocupando o cargo de presidente da União Santa Ifigênia (USI) desde 2025, Joseph Hanna Fares Riachi comanda o que define como um processo de reconstrução dessa região central, baseado em diálogo, organização e ação coletiva. Comerciante há quatro décadas no bairro famoso pelas lojas e galerias que vendem produtos eletrônicos, ele assumiu a presidência com a meta de resgatar a união entre lojistas, recuperar a credibilidade do bairro e impulsionar um novo ciclo de crescimento econômico, com eventos, integração entre polos comerciais e fortalecimento institucional.
“Assumi a presidência da USI com a visão de resgatar a união entre os comerciantes e fortalecer a atuação coletiva da entidade. Idealizei uma gestão baseada no diálogo, na organização e no trabalho conjunto, com foco em representar o comerciante de forma ativa, buscar melhorias concretas para a região e construir soluções de longo prazo para a Santa Ifigênia”, afirma.
Joseph Hanna Fares Riachi nasceu no Líbano, mas adotou o Brasil como lar há 57 anos. Se autointitula como “comerciante por vocação” por ter dedicado toda sua vida ao comércio, principalmente em Santa Ifigênia, local onde construiu sua trajetória profissional.

Ao longo desse percurso, transitou por diferentes segmentos, de componentes eletrônicos à informática, telefonia, segurança e, mais recentemente, baterias. A experiência prática o moldou não apenas como empresário, mas como líder associativo. “O comércio sempre esteve presente na minha vida. Ao longo dos anos, trabalhei em praticamente todos os setores (…) Com o tempo, a convivência com diferentes segmentos, empresários e entidades me fez perceber que minha atuação poderia ir além do empreendedorismo, contribuindo também de forma institucional para o fortalecimento do comércio e para o diálogo entre os diversos setores da sociedade”, conta.
Essa visão o levou à presidência da União Comercial de São Paulo e, posteriormente, da USI, estabelecendo seu nome como uma das vozes mais ativas na defesa do comércio da região central.

Ao assumir a USI, Joseph encontrou um cenário que exigia uma transformação urgente. “Meu diagnóstico era de que a Santa Ifigênia havia perdido parte da sua organização e da união entre os comerciantes, além de enfrentar um processo de degradação que afastava investimentos e enfraquecia o comércio”, analisa.
A prioridade foi reconstruir pontes. Reaproximar os lojistas, fortalecer a representatividade da associação e iniciar um processo de mobilização contínuo para recuperar a credibilidade da região. Para ele, o momento atual é de estabilizaçãoe criação de um trabalho de revitalização estruturado.
“A Santa Ifigênia passou por um período muito difícil (…) Vejo o atual momento como um processo de estabilização gradual, ainda em construção, no qual muitos comerciantes resistiram, acreditaram na região e permaneceram”, reconhece.
O “renascimento” da Santa Ifigênia
Para Joseph, falar em renascimento não é retórica, é estratégia. “Essa fase significa a retomada da força histórica da Santa Ifigênia, baseada na união entre os comerciantes, na reorganização do comércio e na valorização de quem acreditou e permaneceu na região mesmo nos momentos mais difíceis”, afirma.
A reconstrução passa por planejamento, articulação institucional e, principalmente, fomento econômico. “Os eventos entram como uma ferramenta para atrair público e movimentar o comércio. Eles ajudam a aproximar comerciantes, investidores e frequentadores, fortalecem o sentimento de pertencimento e contribuem para reposicionar a região como um polo vivo, ativo e organizado, alinhado ao processo global de modernização”, aponta.

Entre as maiores apostas está a integração entre tecnologia e lazer, que já faz parte da identidade histórica do bairro, com a valorização da gastronomia como agente de permanência e experiência.
“A Santa Ifigênia é um lugar completo para uma experiência completa (…) A gastronomia entra como um elemento estratégico por atrair pessoas, prolongar a permanência do público na região e ajudar a criar um ambiente mais vivo, movimentando a economia e fortalecendo o novo momento do bairro”, explica.
Os próximos meses devem trazer iniciativas voltadas à conexão entre comércio tradicional e inovação, com propostas que dialoguem com tendências futuristas e ampliem o fluxo de visitantes.
Joseph também defende a articulação entre regiões comerciais tradicionais como 25 de Março, Brás e Bom Retiro. “A articulação entre polos comerciais fortalece o centro como um todo (…) Quando regiões como Santa Ifigênia, 25 de Março, Brás e Bom Retiro atuam de forma integrada, o comércio ganha força, visibilidade e melhores condições para enfrentar desafios comuns”, relata.
Para ele, São Paulo já abriga uma potência comercial consolidada, mas o desafio é coordenar esforços para que essa força seja reconhecida de forma plena.
No entanto, nenhum projeto coletivo se sustenta sozinho. Ao lado de Joseph está o Diretor Executivo da USI, Lindoelson Ferreira, apontado como um dos pilares na execução da nova fase da entidade. “A parceria nasceu da confiança mútua e da afinidade de visão sobre o futuro da Santa Ifigênia. O Ferreira atua como Diretor Executivo da USI e braço direito do presidente, sendo responsável pela articulação, pela organização e pela execução das demandas do projeto, garantindo que as decisões institucionais se transformem em ações concretas neste novo momento da associação”, descreve.
Na prática, Ferreira organiza demandas, mantém diálogo direto com comerciantes e articula encaminhamentos junto ao poder público, garantindo que o planejamento estratégico ganhe efetividade no dia a dia da região.
Reconhecimento, responsabilidade e legado
Antes de ter a liderança reconhecida em Santa Ifigênia, Joseph Riachi recebeu o título de cidadão paulistano, concedido pelo então vereador Coronel Salles, em dezembro de 2024. Um reconhecimento institucional que marcou sua trajetória. “Essa homenagem representa um profundo sentimento de gratidão a São Paulo, cidade que me acolheu, e reforça minha responsabilidade de continuar contribuindo com trabalho, liderança e compromisso para o desenvolvimento do comércio e da região”, relembra.
Após décadas dedicadas ao comércio, o que ainda o move é o ideal de que o setor tem um papel social. “A convicção de que o comércio pode ir além do resultado econômico e cumprir um papel social legítimo. O compromisso com pautas sociais, com a união dos comerciantes e com o desenvolvimento da região é o que mantém vivo meu envolvimento com a vida associativa”, destaca.
Ao olhar para o futuro, o empresário idealiza uma Santa Ifigênia organizada, valorizada e novamente exercendo papel de protagonista: “Imagino a Santa Ifigênia mais organizada, valorizada e fortalecida, com um comércio unido, estruturado e preparado para acompanhar as transformações modernas.”
Na visão de Joseph Riachi, o renascimento da Santa Ifigênia não será fruto de um gesto isolado, mas da construção diária de uma liderança compartilhada, capaz de transformar vocação comercial em desenvolvimento sustentável para o coração de São Paulo.