José Mayer, de 77 anos, fechou um acordo de R$ 22 mil para encerrar uma ação trabalhista movida por seu ex-empregado doméstico, Valdeir Ribeiro. No processo, o trabalhador alegou pagamentos salariais sem registro e férias que, embora remuneradas, não teriam sido usufruídas.
Eu estava coando o café, ainda de olho no céu nublado do Cosme Velho, quando li essa história. E vou dizer: não existe “acerto pequeno” quando a conversa envolve alguém alegando anos de trabalho sem conseguir descansar de verdade.

Segundo a petição, Valdeir trabalhou na residência do ator entre agosto de 2011 e janeiro de 2026. Ele afirmou que recebia valores superiores aos anotados na carteira de trabalho e que isso teria afetado recolhimentos de FGTS e verbas rescisórias.
A conciliação foi firmada na 71ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro. Os R$ 22 mil foram divididos em três parcelas, classificadas no acordo como indenização de férias, com previsão de multa de 50% em caso de atraso.
Eu mexi o café e pensei na palavra que mais me pega nisso tudo: férias. Porque férias não são um Pix com legenda bonita, meu amor. Descanso é sair da obrigação, desligar a cabeça, poder não estar disponível. Se a pessoa recebe, mas continua trabalhando, a discussão deixa de ser detalhe.
O ex-funcionário cobrava inicialmente R$ 58.042,52 e sustentou que não havia usufruído de quatro períodos de férias entre 2021 e 2025. Ele também alegou não receber contracheques com frequência e apresentou extratos bancários para embasar sua versão.
Mas é preciso separar a fofoca do carimbo judicial: o acordo encerrou o processo sem sentença que reconhecesse culpa de José Mayer ou confirmasse as irregularidades apontadas pelo trabalhador. Houve uma conciliação entre as partes, não uma condenação.
Eu já deixei o pão na mesa e só posso dizer que direito trabalhista não é enfeite de carteira, nem favor de patrão. Quando aparece uma disputa assim, o mínimo é tratar com seriedade, sem transformar alegação em verdade provada e sem fingir que o tema não merece atenção.

Longe das novelas desde 2017, quando atuou em “A Lei do Amor”, José Mayer agora vê seu nome voltar ao noticiário por uma história bem menos glamourosa que personagem de horário nobre: trabalho, descanso e uma conta que precisou ser resolvida na Justiça.