Completar uma maratona exige preparo. Encarar um Ironman 70.3 exige ainda mais. Mas, para José Eduardo, nenhuma dessas provas foi tão importante quanto aquela que começou dentro dele: a decisão de mudar a própria vida. Em cinco anos, o homem que chegou aos 127 kg transformou hábitos, enfrentou limites e chegou a eliminar 34 kg. No caminho, descobriu no esporte uma nova paixão e, nos filhos, a principal razão para continuar.
Hoje, José corre, compete e leva os tênis de treino para onde vai. Já completou três maratonas e um Ironman 70.3, mas cada conquista esportiva carrega um significado que vai muito além das medalhas. É também a celebração de uma transformação que nasceu do desejo de ter saúde e disposição para acompanhar Maria Eduarda e José Joaquim enquanto eles crescem.

A virada começou em 2021. Incentivado por amigos próximos, José decidiu deixar para trás uma rotina em que o trabalho ocupava quase todo o espaço e a própria saúde ficava em segundo plano. Na época, pesava 127 kg, fumava, consumia bebidas alcoólicas e tinha uma alimentação marcada por doces, bolachas, salgadinhos e refrigerantes. Segundo José, teve duas que ele chegou a beber cerca de um litro de Coca-Cola por dia.
A mudança começou na alimentação e ganhou força quando José decidiu começar a correr apenas dois quilômetros por dia. Com o passar do tempo, ele foi aumentando o percurso de forma gradual, primeiro para três, depois para cinco quilômetros, até descobrir que era capaz de ir cada vez mais longe.
“Com o tempo, aquilo que parecia desafiador se tornou prazeroso e gratificante. Sair do comodismo é difícil, porque temos medo do desconhecido, mas é no desconforto que crescemos, fortalecemos a mente e transformamos o físico”, conta.
No auge da transformação, José chegou aos 93 kg, eliminando 34 kg. Atualmente, está com 106 kg, mas afirma que o resultado mais importante não aparece na balança. Para ele, a grande conquista foi fortalecer a mente e mudar a maneira como encara a própria vida.
“Mais importante do que o peso perdido foi a força mental que conquistei”, afirma.
Foram cinco anos de treino, foco, determinação, resiliência e fé. A corrida deixou de ser apenas uma atividade física e abriu caminho para desafios maiores. O triatlo entrou na rotina e José passou a se preparar para provas que, anos antes, provavelmente pareciam distantes da realidade daquele homem que vivia no sedentarismo.
“Eu queria buscar a minha melhor versão. Sempre fui determinado, e desistir nunca foi uma opção”, diz.
E foi justamente na família que ele encontrou uma das maiores fontes de força para seguir. Desde o início, José sabia que cuidar da própria saúde significava também ganhar a possibilidade de viver mais momentos ao lado dos filhos.
“Sabia que, ao mudar, também poderia inspirar outras pessoas, assim como fui inspirado, e principalmente ser um bom exemplo para os meus filhos. Somos espelhos para os nossos pequenos, e conquistar saúde física e mental para viver cada momento ao lado deles é gratificante demais”, afirma.
A transformação ganhou um significado ainda mais especial quando seu filho mais novo, José Joaquim, aprendeu a andar de bicicleta. José guarda com carinho a lembrança de ter podido acompanhar de perto aquele momento, correndo ao lado do filho enquanto ele fazia as primeiras tentativas sem rodinhas. A cena, simples para quem observa de fora, representa para o pai uma das conquistas mais bonitas de todo esse processo.
“Foi maravilhoso ver meu filho aprendendo a andar de bicicleta e poder estar ao lado dele, com disposição para correr, apoiá-lo e transmitir segurança.”
São momentos como esse que fazem o esporte ultrapassar a ideia de desempenho. Para José, cuidar do corpo significa também estar disponível para os filhos e construir memórias que permanecerão muito depois de qualquer competição.
As medalhas também ganharam um novo significado. Depois das provas, uma das maiores alegrias é voltar para casa e colocar uma delas no pescoço do filho.
“Uma das maiores alegrias é voltar para casa, colocar a medalha no pescoço do meu filho e ver o orgulho em seu olhar”, conta.
Para Maria Eduarda, ele destaca que o desejo é deixar um exemplo para o futuro. José quer que a filha encontre nele uma referência de alguém que se cuida, se prioriza e oferece segurança e carinho.
“Quero ser um exemplo do tipo de pessoa que ela merece ter ao seu lado no futuro: alguém que se cuida, se prioriza, traga segurança, carinho e bom coração”, afirma.
Segundo José, a rotina de treinos também exige renúncias. Há dias de cansaço e momentos em que ele precisa se ausentar para competir. Ainda assim, os filhos permanecem presentes em seus pensamentos.
“Eles são a minha verdadeira creatina”, brinca.
A frase resume, com leveza, aquilo que sustenta a trajetória. José não mudou apenas para emagrecer. Mudou porque queria ter mais energia para viver. Hoje, os tênis de corrida são alguns dos primeiros itens que entram na mala quando ele viaja. A cena contrasta com o passado, quando José chegava a um resort, via pessoas treinando durante as férias e se perguntava quem teria coragem de fazer aquilo
.
“Hoje, eu sou esse doido!”, brinca.
A mudança fez com que José também passasse a enxergar o próprio corpo de outra maneira. Para ele, cuidar da saúde é uma forma de valorizar a vida e estar preparado para aproveitar o caminho que ainda tem pela frente.
“Trabalhar é necessário, mas cuidar de nós mesmos também é essencial. Tudo exige equilíbrio. Precisamos do nosso corpo para viver este plano que Deus preparou, por isso devemos cuidar bem dele”, afirma.

Com mais de 50 mil seguidores nas redes sociais, José também passou a enxergar a própria trajetória como uma forma de incentivo para quem está do outro lado da tela. Ele conta que recebe mensagens de pessoas que acompanham seus treinos, se inspiram em sua rotina e dizem ter decidido mudar de vida depois de ver suas publicações. Para ele, esse retorno acabou se tornando uma nova fonte de motivação.
“Às vezes eu acordo meio cansado, meio indisposto, mas penso: se eu levantar e fizer aquela força para tomar a iniciativa de ir, além de me ajudar, vou incentivar outras pessoas que recebem essa energia.”
Cinco anos depois de decidir mudar, José não enxerga a transformação como uma conquista concluída, mas como um processo que continua a cada treino, a cada escolha e a cada novo desafio. O esporte trouxe medalhas, maratonas e um Ironman 70.3, mas foi a possibilidade de viver mais momentos ao lado dos filhos que deu um sentido maior a toda essa trajetória.

Aos poucos, o homem que precisou aprender a cuidar de si passou a entender que estar presente para quem ama também começa pelo cuidado com o próprio corpo e com a própria mente. Hoje, cada quilômetro percorrido carrega um propósito que vai muito além da linha de chegada: seguir construindo a vida que escolheu viver.
Se há algo que essa trajetória ensinou a José, é que não existe uma versão definitiva de si mesmo. Sempre há um novo desafio, um novo passo e uma nova oportunidade de evoluir. Como ele próprio resume: “O José de hoje não é o mesmo de ontem e também não será o mesmo de amanhã.