Olha, eu estava saindo, bolsa na mão, já de salto, porque tenho almoço em Santa Teresa e ainda preciso passar no Rio Sul antes, mas aí o telefone ferveu e eu precisei sentar de volta no sofá porque John Travolta acabou de fazer o mundo inteiro chorar em Cannes. E eu choro junto. Sem cerimônia.
Na sexta-feira, durante a estreia mundial de Propeller One-Way Night Coach, filme que ele dirigiu e que é baseado numa novelinha infantil que ele mesmo escreveu em 1997, Thierry Fremaux, o diretor do Festival de Cannes, subiu ao palco e entregou ao homem uma Palma de Ouro Honorária. O equivalente, para quem não sabe, ao Oscar de carreira. Travolta não sabia de nada. Começou a chorar na hora. Exclamou em francês que estava completamente surpreso, virou para Fremaux e disse: “Isso vai além do Oscar, de verdade.”
Dois Oscar de Melhor Ator no currículo, Saturday Night Fever em 1978 e Pulp Fiction em 1995, décadas de carreira, uma vida inteira de telas. E ele ainda chegou em Cannes achando que era só mais uma noite. Sua filha, Ella Bleu Travolta, está no filme fazendo uma comissária de bordo chamada Doris, e estava lá com ele no tapete vermelho. A cena do pai e da filha circulou o mundo inteiro em questão de minutos.
Nas redes, o TikTok do Festival já tem quase 3.400 curtidas no vídeo do momento da entrega, com Fremaux dizendo em francês “John, temos uma surpresa para você”. Os comentários são um mar de corações e gente repetindo a frase dele: “Isso vai além do Oscar.” Famosos, cinéfilos e fãs de primeira viagem todos na mesma página, o que, convenhamos, não acontece todo dia.
E por falar em tudo isso: o homem está com 72 anos, boina bege, óculos redondo, barba bem feita, paletó preto. Minha gente, que gatooooo. Eu precisava dizer. A coluna tem compromisso com a notícia, mas tem olho também. Vou pro Rio Sul e pro almoço com o coração aquecido e uma certeza renovada: alguns homens melhoram como vinho fino, e John Travolta é Château Pétrus.