Deborah Secco fez um relato forte sobre relações abusivas que viveu no passado. Em entrevista ao videocast “Conversa vai, conversa vem”, de Maria Fortuna, a atriz contou que chegou a ser trancada por um ex-namorado para ser impedida de comer e associou antigos vínculos afetivos a um padrão de abandono ligado à ausência do pai.
Eu estava fechando a conta do almoço, já com uma amiga discutindo se ainda cabia café e outra fingindo que não tinha pedido sobremesa, quando li essa fala da Deborah e parei. Tem fofoca que chega fazendo barulho. Essa chega dando um aperto, porque não é sobre climão de famoso, é sobre uma mulher olhando para trás e dando nome a violências que muita gente tenta empurrar para debaixo do tapete.

Na conversa, Deborah afirmou que repetiu em diferentes relações um padrão de abandono. Segundo a atriz, isso apareceu em namoros, amizades e vínculos com pessoas que ela sentia necessidade de conquistar o tempo todo.
“Busquei o padrão de abandono em todas as relações: amorosas, de amizade, pessoas que tinha que conquistar, batalhar, que tendiam ao abandono e não ao cuidado”, disse.
O trecho mais pesado veio quando ela falou sobre situações abusivas e agressões físicas e verbais em relacionamentos anteriores. Deborah não identificou o ex citado, mas resumiu uma das situações com uma frase dura: “Já fui trancada para não poder comer”.
Pois eu larguei o cartão na bandejinha e fiquei olhando para essa frase. Porque não tem glamour, não tem desculpa e não tem romantização possível. Trancar uma mulher para controlar o que ela come não é ciúme, não é cuidado torto, não é “fase ruim”. É violência.
Deborah também falou sobre a guarda compartilhada de Maria Flor, filha dela com Hugo Moura. A atriz contou que, no começo, a divisão da convivência foi uma dor enorme.
“A guarda compartilhada foi a minha maior dor”, declarou.

Depois, segundo ela, ver a filha convivendo com um pai presente acabou mexendo em uma ferida antiga. Deborah afirmou que o cuidado de Hugo com Maria Flor a ajudou a encarar a ausência paterna que marcou sua própria infância.
E é aí que a história muda de lugar. Deborah não estava apenas lembrando relacionamento ruim. Ela estava costurando passado, maternidade, abandono e cura numa mesma conversa. Eu saí do restaurante com as amigas falando mais baixo do que entramos, porque tem confissão que não pede risada: pede escuta.