Amores, hoje a conversa é outra, então senta aqui comigo. Isabel Teixeira, a nossa eterna Maria Bruaca de Pantanal, contou ao Fantástico que retirou as duas mamas sem ter câncer. Foi prevenção. Ela tem a síndrome de Li-Fraumeni, uma alteração genética que aumenta o risco de vários tipos de tumor ao longo da vida, e decidiu não esperar a doença bater na porta.
A história começa dentro de casa. A mãe de Isabel morreu de câncer em 2006. Um ano antes, a avó tinha partido pela mesma doença. Com esse histórico, ela foi atrás de um teste genético e, em 2019, veio a resposta: mutação no gene TP53. Esse gene funciona como um guardião das células e barra os erros na hora em que elas se multiplicam. Quando ele falha, a porta fica aberta para tumores em órgãos diferentes.

Eu li tudo isso no celular, sentada num banco do centro histórico de Sintra, com um travesseiro da Piriquita no colo. E vou ser sincera com vocês: esqueci do doce.
A cirurgia foi só uma parte do pacote. Isabel parou de fumar, largou a bebida alcoólica e passou a fazer exercício com regularidade. Isso é decisão de quem resolveu pegar o volante da própria vida. Aí veio a parte que me deu um nó na garganta: os filhos também precisavam fazer o exame. O menino deu negativo. A menina herdou a alteração. A própria Isabel descreveu o resultado como mais um choque.
Agora eu faço o que sempre faço, coloco uma coisa do lado da outra. Lembram quando Angelina Jolie contou, em 2013, que tinha feito a mastectomia preventiva? O caso dela envolvia outro gene, o BRCA1. O de Isabel é o TP53, muito menos falado, e com um detalhe que pouca gente sabe: o Brasil, especialmente o Sul e o Sudeste, concentra uma variante desse gene com frequência bem maior do que no resto do mundo. Ou seja, a conversa que ela abriu na TV pode bater na porta de muita família que nunca ouviu esse nome.
A médica Maria Isabel, ouvida pela reportagem, explicou que conhecer a síndrome permite agir antes de qualquer sintoma e aumenta as chances de sucesso no tratamento. Para os especialistas, o diagnóstico abre caminho para acompanhamento contínuo e detecção precoce de qualquer tumor.

Isabel admite que pode ter câncer um dia. E diz, com todas as letras, que esse medo não a paralisa, porque acredita que “a prevenção também é cura”. Eu fechei o celular, olhei a serra sumindo no nevoeiro e pensei que tem gente que vira ícone na novela e tem gente que vira ícone falando a verdade em rede nacional. Isabel conseguiu as duas coisas.